Miguezim de Princesa


02/08/2013


Lições de um Papa pop

 


MIGUEZIM DE PRINCESA

I
Papa Francisco avisou
Pra tudo que é ladrão:
“Não trago prata nem ouro,
Não trago cobre ou latão,
Eu só trago é Jesus Cristo
Dentro do meu coração”.

II
Ao visitar o Brasil
Disse no Rio de Janeiro,
No evento que reuniu
Os jovens do mundo inteiro,
Que o Papa é argentino,
Porém Deus é brasileiro.
III
Defendeu os mais carentes
E pregou a humildade,
Desfilou em carro simples
Pelas ruas da cidade,
Mostrou para os poderosos
Lições de dignidade.
IV
Recomendou aos mais jovens
Que se juntem aos anciões,
Para evitar nesses tempos
As ondas de exclusões
E os males do sistema,
Cheio de discriminações.
V
Que é preciso ter tempo
Pra semear e colher,
Analisar o terreno
E ser sábio ao escolher,
Que, afastando os espinhos,
Toda planta vai crescer.
VI
Mesmo no terreno duro
Há um jeito de colher:
Os alunos nas escolas
Têm direito de saber
E nem a pior doença 
Os impede de aprender.
VII
Pregou nas ruas o caminho
Reto da simplicidade,
As veredas da leveza,
Distantes da vaidade,
Que é o verdadeiro caminho
Que leva à felicidade.
VIII
Disse que o trabalho sério,
A dedicação à lida,
A atenção aos mais pobres,
A mesa bem dividida
Enobrecem o ser humano,
Valorizam mais a vida.
IX
Cultivar as amizades,
Valorizar relações,
Andar nas ruas sem medo,
Sair das escuridões,
Clamou o Papa Francisco,
Penetrando corações.
X
Nascido Jorge Bergoglio,
Simples, bom e altaneiro,
O novo líder da Igreja
Mostrou-se bem verdadeiro,
Dedicado à caridade,
E com sua simplicidade
Conquistou o mundo inteiro

Escrito por Miguezim às 22h47
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12/05/2013


Uma crônica do Tião, um soneto de Ronaldo, uma homenagem a Dona Emilia, a mãe que virou saudade


 

 

No Dia das Mães de 2007, quando Dona Emilia, a mãe que me falta já tinha partido, escrevi a croniqueta abaixo, a qual batizei de "Uma Flor para Dona Emilia". O poeta Ronaldo Cunha Lima, que também virou saudade, escreveu o soneto mais abaixo, com o mesmo nome, em homenagem a minha mãe, mas lembrando-se igualmente da sua inesquecível Dona Nenzinha. Leia os dois:

UMA FLOR PARA DONA EMÍLIA 

Tião Lucena

Minha mãe morreu sozinha num leito de enfermaria do Hospital Edson Ramalho. Era madrugada de segunda-feira quando ela se foi, mas eu somente fui avisado depois das sete horas. A enfermeira ligou dizendo que a encontrou morta, na cama, os olhos vidrados para o teto, procurando alguma coisa.

Dona Emília teve AVC. Depois do primeiro, nunca mais andou. Falava com dificuldade, andar que era o seu esporte preferido, nunca mais. Foi cuidada em hospitais e em casa. Da última crise não se recuperou mais. Morreu numa madrugada de segunda. No domingo a avistamos. Edmilson, nem isso. Estava internado no Memorial São Francisco com coisas do coração.

Quando dona Emília era viva, gostava de juntar os filhos na casinha do Ernesto Geisel para o almoço do Dia das Mães. Almoço singelo, como singela era ela. Galinha de capoeira, feijão verde, cuscuz, arroz do Piancó e uma pimentinha a gosto, para lembrar o sertão.

Ficávamos ali, jogando conversa fora e ouvindo-a entoar canções do seu tempo, ao som do cavaquinho de José, nosso irmão mais velho.

Ela gostava disso, sentia falta disso. Embora morássemos na mesma cidade, somente a visitávamos nos finais de semana e isto separados. Nessas ocasiões, ficava feliz, os olhos brilhavam, a solidão ia embora.

Mamãe nunca reclamou de nada. Nem da saudade que sentia do meu pai, o velho Miguel Lucena, que "viajou" de surpresa também numa madrugada fria. Ela sempre tinha um abraço a oferecer, um sorriso de mãe a encorajar seus meninos, um mimo que somente mãe tem guardado nas profundezas do coração.

Daqui a pouco irei ao cemitério colocar uma flor na sua cova. É pouca coisa, de pouquíssima monta. Mas ela, onde estiver, saberá que naquela flor estarão depositadas, também, as lágrimas da minha saudade.

MEU CARO AMIGO, TIÃO LUCENA: LÍ A SUA PROSA POÉTICA, LEMBREI-ME DE DONA NENZINHA, E, SEM A SUA LICENÇA, SENTI-ME PARCEIRO DESSA SAUDADE QUE SE ETERNIZA EM NOSSA VIDA TERRENA , PRENDENDO-NOS AO PASSADO E AO PRESENTE, E NOS CONDUZINDO AO FUTURO ESSES INFINITOS LAÇOS MATERNAIS : 

UMA FLOR PARA DONA EMÍLIA

(Soneto) 

Como é doída a dor que a gente sente,

quando presente em flores sazonais,

perfumando saudades maternais

eternizadas pelo amor da gente!

Quando cada lembrança nos consente

o rever e ouvir do nunca mais,

e desperta, entre nós, crenças iguais

de uma mãe imortal e onipresente. 

Como é doída a dor de uma saudade

que nos leva do amor uma metade

e a metade que fica vive a cena 

de um poeta que vaga o olhar piério

entre as cruzes ferais do cemitério,

da flor de pranto de Tião Lucena! 

Ronaldo Cunha Lima

Escrito por Miguezim às 12h47
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CANÇÃO DO ACONCHEGO


Miguezim de Princesa



Faz algum tempo, eu chorava, ela cantava,
me amamentava quando a fome me doía.
Em plena noite silenciosa e fria,
no seu peito de mãe me aconchegava.

Cantava uma canção doce de ninar
a embalar seu rebento de amor,
como se estivesse a regar uma bela flor,
a razão do seu viver, do seu sonhar.

E ao findar a noite, vindo o dia,
com a ousadia que tem toda mulher,
reunia forças, fibra, garra e fé
e pro roçado Emília seguia.

Não era rainha do lar a sertaneja
que na peleja desta dura lida
não fraquejou. É rainha da vida,
meu maior templo, minha maior igreja.

Chora hoje quando eu canto para ela,
minha flor bela que inspira esta poesia.
Chora na noite silenciosa e fria,
com saudades do poeta, filho dela.

Meu aconchego, que hoje faz setenta,
nem aparenta: parece uma criança,
sorrindo ao mundo fé e esperança,
preparando a festa dos noventa.

Escrito por Miguezim às 12h42
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SESSÃO DE CURA GAY

Miguezim de Princesa

I
Combinaram uma sessão
No Congresso Nacional
Com doutores psicólogos
Para debater um “mal”
Que eles acham que existe
No homossexual.

II
Uma ala de psicólogos
Deseja autorização
Para introduzir mudança
Em sua legislação
E mudar o jeito de ser
De uma grande legião.

III
Eles acham que ser gay
É problema de nascença:
O menino, quando nasce,
Já nasce com a “doença”
De doar o “monossílabo”,
Independente de crença.

IV
Uma ala mais radical
Diz que é “safadeza pura”.
E em sendo safadeza,
Um sinônimo de “frescura”,
Basta ir ao psicólogo
Que o problema tem cura.

V
Um crente lá de Princesa,
Que é primo de Zé Galego,
Assegura que curou
O filho de Zé de Nego
Com oitenta “Ave-Marias”
E uma sessão de descarrego.

VI
Diz que o neto de Ambrosina
Curou-se e nunca mais deu,
E esse dava todo dia
No quintal de Zé Bedeu,
E só não curou Cicinha
Porque ele já morreu.

VII
Já a militância gay
Diz que essa condição
É uma maneira de ser,
Uma escolha, uma opção,
Um jeito de ver a vida,
Uma força de expressão.

VIII
Um líder gay da Bahia
Com uma mulher se casou,
Com ela teve duas filhas
E essa união durou
Até que soltou a franga
Por um negão do Pelô.

IX
No Brasil ninguém se entende,
É a maior confusão:
Os crentes querem obrigar
O gay a virar machão
E o governo distribui
óleo para comichão.

X
Tanto é que a presidente,
Em inspiração repentina,
Para o gay não sentir dor
Naquela hora malina,
Distribuiu aos milhões
A tal Bolsa-Vaselina.

XI
Esse Congresso se mete
Em tudo que é assunto novo:
Quer descobrir quem veio antes
Se a galinha ou o ovo.
O melhor que o Estado faz
É deixar os gays em paz
E ir cuidar do seu povo!

Escrito por Miguezim às 12h28
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10/04/2013


GUERRA NA COMISSÃO DO PASTOR

Miguezim de Princesa

I
Depois de falar que negro
É a imagem do Cão,
Que os gays têm o defeito
De sofrer de comichão,
O pastor Feliciano
Assumiu a Comissão.
II
Lá nos Direitos Humanos,
Houve o maior reboliço:
Jean Willys pegou
Um cacete bem roliço
Para acertar o pastor,
Quase lhe quebra o toitiço.
III
“Queimar rosca todo dia”,
Disse em cartaz Bolsonaro,
Deputado de direita,
Tipo hoje muito raro,
Que fica com urticária
Só de ouvir falar em “aro”.


IV
“Queimar rosca é coisa boa”,
Respondeu um assumido.
“Pior é se dizer macho,
Pai exemplar, bom marido
E, sem sair do armário,
Queimar a rosca escondido”.
V
Feliciano acusou
As forças de Satanás
(O Cão Coxo, Zé Beiçola,
Volta Seca e Ferrabrás)
De fazerem um movimento
Para lhe passar pra trás.
VI
Chamou os gays de doentes,
Salientes, atrevidos.
Disse que “o verme na cova,
Reparando no invertido,
Comentou com o outro verme:
Esse aí já veio comido”.
VII
Defendeu também que o preso,
Na Casa de Detenção,
Quando queimar sua cama
Deve dormir é no chão
E trabalhar todo dia
Para pagar refeição.
VIII
Condenou a camisinha,
“Uma arte do Cão Cotó”;
Disse que a mulher casada
Nunca pode sair só
E só deve furunfar
No buraco do lençol.
IX
Condenou a minissaia,
“coisa do tempo moderno”;
Disse que a Miss Bumbum
Vai de encontro ao Pai Eterno
E vai arder para sempre
Nas profundas do Inferno.
X
A Bancada Feminina
Com Iara protestou:
Disse que a Idade Média
No Congresso se instalou,
Quem sabe monte outros planos.
Mesmo com Feliciano,
O mundo não se acabou

Escrito por Miguezim às 14h52
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CHEGA DE EMBROMAÇÃO

Miguezim de Princesa
I
Eu não entendo por que
A Dilma desonerou
Uma carrada de produtos
Que vão pro consumidor
E, sem incidir impostos,
Tudo que é coisa aumentou.
II
Tomate a preço de ouro
Não tempera o macarrão,
Um baiano sem farinha
É um português sem pão
E o pobre fica fraco
Quando não come feijão.
III
O que foi que aconteceu
Com a cesta de produtos?
Produtor e empresário
Reclamavam do tributo
Porque queriam lucro líquido,
Mas ficaram foi com o bruto.
IV
Do jeito que o preço está
Desde o Sul até o Norte,
O povo apertando o cinto,
Beirando a hora da morte,
O transporte de verduras
Se dará em carro-forte.
V
Soube que na Paraíba,
Lá pras bandas do Sertão,
Uns cabras remanescentes
Dos tempos de Lampião
Organizaram uma quadrilha
Para roubar pimentão.
VI
Reeditaram na Bahia
Movimento meio insosso,
Que no século dezenove
Foi verdadeiro colosso:
Abaixo a carne com osso
E o feijão sem caroço!
VII
Dona Dilma abra do olho,
Ouça o conselho de novo:
Bote os impostos de volta,
Do tomate até o ovo,
Pra não passar a ideia
Que engabelaram o povo.
IX
O povo chega no açougue,
A tabela é de lascar;
Corre ao supermercado,
Dá vontade de chorar
E o pobre só pega em carne
Na hora de urinar.
X
Sobe tudo nesse mundo,
Farinha, milho e feijão,
Só não sobe é o salário
De quem trabalha com a mão.
Melhorar onerar a cesta
Que o povo não é besta,
Chega de embromação!

Escrito por Miguezim às 14h51
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16/03/2013


A PERERECA DA POLÍCIA BAIANA

Miguezim de Princesa


I
Não bastassem a violência
Do ladrão e da milícia,
Matança indiscriminada,
Morte por icterícia,
A Bahia se dá ao luxo
De dispensar a Polícia.

II
O Governo da Bahia,
Meio tonto de carnaval,
Resolveu bem na Quaresma
Publicar um edital
Exigindo virgindade
Para ser policial.

III
Depois de estimular
Tanta dança da bundinha,
Da boquinha da garrafa,
Cururu, pererequinha,
O governo quer formar
Um exército de santinhas.

IV
Soltam no Porto da Barra
A pergunta que não cala:
Pra que vale a virgindade,
Na rua, no mato ou na sala?
Será que é pra ter mais força
Quando disparar bala?

V
Lá em Água de Meninos,
Onde o povo faz a feira,
Trocaram todo o estoque
De charque, vela e peixeira
Por cargas de pedra-ume
Para trancar a “porteira”.

VI
Minha amiga Sarajane,
Que vivia assanhadinha,
Dançando em Massaranduba
A dança da papudinha,
Já mudou o seu refrão,
Mandou fechar a rodinha.

VII
No bairro da Mata Escura,
Jonas Paulo senador
Exortou as companheiras,
Militantes de pudor,
A se inscrever no concurso
E mostrar o seu valor.

VIII
Foi aí que Cipriano,
Um petista de doer,
Disse que era mais fácil
O Lula gostar de ler
Do que encontrar uma virgem
Nas fileiras do PT.

IX
Será que um gênio baiano,
Inspirado no além,
Incorporado em Kadafi,
Pensou um dia também
Criar uma guarda de honra
E transformá-la em harém?

X
Na Bahia já aconteceu
A Guerra do Fim do Mundo;
Padre dá santo na missa,
Quenga sente amor profundo,
E Polícia usa perereca
Para prender vagabundo!

Escrito por Miguezim às 09h41
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08/03/2013


SEM MEDO DE PODER

MIGUEZIM DE PRINCESA

Se nem a guerra cruenta,
que ceifa milhões de vidas:
Se nem a faca bandida,
que ao seio firme ensangüenta:
Se nem a tara nojenta
de quem te rouba o prazer
te faz sucumbir, ceder,
então fites o infinito:
Liberdade! - este é teu grito
nas cancelas do poder

 

Por que temer o poder,
se as bombas americanas,
se a miséria africana
não te fizeram tremer?
Pior do que o sofrer
de enfrentar a reação
é sentir a humilhação
das croatas estupradas,
é viver acorrentada
aos pés da submissão!

 

A volúpia que consome
milhões de prostituídas
flores na lama caídas - ;
o bebê morto de fome
no útero de quem não come
na miséria nordestina
não são acaso da sina.
É o dragão da maldade
que exclui mais da metade
de uma Nação feminina.

 

Ser só fonte de prazer,
enfeite de candidato,
rainha de lavar prato
quando há o que comer?
Não! Rache ao meio esse poder,
mulher que ganha de meia!
Toque fogo nessa peia
que te marca tão profundo,
E assim construa nosso mundo
com paz, cimento e areia.

Escrito por Miguezim às 17h03
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27/11/2012


TIRANDO LEITE DE BODE

MIGUEZIM DE PRINCESA

I
Vi cantador forrozeiro
Leite de pedra tirar,
Assisti Tião Badé
Com um jumento se atracar,
Mas tirar leite de bode
Somente no Ceará.

II
Depois que Joaquim Barbosa
Acunhou no fogareiro,
Deputado Guimarães
Respondeu breve e ligeiro,
Dizendo ter-se criado
Mamando em pai-de-chiqueiro.

III
Guimarães e Genoíno,
Nascidos no Ceará,
Quando eram pequeninos
Não paravam de berrar.
Então alguém já dizia:
O cabrito quer mamar!

IV
De tanto mamar no bode,
Beber mel de mandaçaia,
Comer tanajura frita,
Preá, calango e lacraia,
Genoíno, estando forte,
Foi lutar no Araguaia.

V
Nem deu o primeiro tiro
Pra fazer revolução,
Se atrapalhou na vereda,
Por causa da escuridão,
Deu de cara com um tenente
E acabou na prisão.

VI
Anos depois, no poder,
Se enrolou no mensalão,
Apesar de não ter sido
O chefe da confusão,
Recebeu mais de seis anos
Da caneta do negão.

VII
Foi aí que Guimarães,
Pra defender o irmão,
Bateu na caixa dos peitos,
Encheu bem forte o pulmão,
Disse que mamaram em bode
E não temiam nada, não!

VIII
Forte, não sofreu abalo
Quando um assessor careca,
Que estava acostumado
A andar com uma merreca,
Foi flagrado no avião
Com dinheiro na cueca.

IX
Guimarães será o líder
Da bancada do partido,
Vai fazer questão de ordem,
Como homem decidido,
E quando usar o microfone
Só vai sair um balido…

X
No Ceará é assim:
Quem desse leite tomar
Perde o medo do perigo,
Pode o mundo se acabar,
E se topar com uma cabrinha
É capaz de se casar!

Escrito por Miguezim às 18h50
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MADAME PIDONA

 Miguezim de Princesa

I
Que madame mais pidona:
Pedia sapato e bebida,
Brinco, anel e trancilim,
Colírio e furosemida,
Pedia até cirurgia
Pra enfeitar a “perseguida”.

II
No dia que ia almoçar
No rodízio de espeto,
Comia picanha, javali,
Coelho, sushi e galeto,
Depois indicava o besta
Para pagar o boleto.

III
Chefiando o gabinete
Da ilustre presidente,
Madame não se cansava
De tanto pedir presente
E, quando via um pacote,
Chega arreganhava os dentes.

IV
No Air Force Fifty One,
Pra cima e pra baixo andava,
Curruchiando com os homens
A quem demais agradava,
Enchia a bolsa de tudo
E ninguém a revistava.

V
O segredo de agradar
Tanto senhor afamado
É que ela todo ano
Reunia o apurado
Para cuidar de um lugar
Por demais apreciado.

VI
Depois de tudo cuidado,
Botava pra derreter,
Fazia o maior salseiro
Na hora do vamos-ver,
Inda pedia ao freguês
Para dar o parecer.

VII
Tinha parecer de cem,
De trezentos e de 1 milhão.
Quando ela estava inspirada,
Deitava touro no chão
E elogiava o besta:
“Cabra do parecerzão!”

VIII
De tanto queimar em brasa,
Formaram uma comissão
Para diminuir um  pouco
Toda aquela comichão:
Chamaram um homem das águas,
Outro da aviação.

IX
Para completar o time
Do ar, da água e do chão
E o parecer completo
Render uma boa comissão,
Chamaram um advogado
Que já tinha parte com o cão.

X
Madame era tão pidona
Que chegou a encomendar
A Miguezim de Princesa
Um verso a lhe elogiar,
Mas o poeta, cabreiro,
Respondeu-lhe bem ligeiro:
“Deus me livre de ir lá!”.

 

Escrito por Miguezim às 18h47
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04/04/2012


 

HOMENAGEM A EDERALDO GENTIL, O OURO DO SAMBA (Parte 2)


O OURO E A MADEIRA

Em 1975, a gravadora Chantecler o convoca de volta a São Paulo onde grava um compacto simples (vinil), que trazia as composições "O Ouro e a Madeira" e "Triste Samba", ambas de sua exclusiva autoria. A primeira composição fêz um relativo sucesso em sua voz, despertando a atenção do radialista e produtor musical Adelzon Alves, na época trabalhando com a cantora mineira Clara Nunes e outros artistas do mundo do samba. Foi no famoso programa radiofônico do Adelzon Alves, o Comando da Madrugada, da rádio Globo do Rio de Janeiro, que se decidiu a gravação do samba O Ouro e a Madeira pelo grupo Nosso Samba (acompanhantes oficiais da Clara Nunes). Essa nova gravação do samba foi, como se diz no jargão do mundo fonográfico, um estouro!

Esse destaque fêz com que a gravadora Chantecler o convidasse para uma nova gravação. Desta feita, para a sua surpresa, não mais um simples compacto, mas sim, um longa-duração (LP), o primeiro de sua carreira. E assim surge, ainda em 1975, o disco Samba, Canto Livre de Um Povo, que trazia novamente o sucesso "O Ouro e a Madeira". Esse disco é hoje uma raridade, visto que ainda não foi reeditado em CD, assim como os seus outros discos em vinil. Embora não tenha tido um maior rigor técnico da produção, esse trabalho do Ederaldo mereceu, na época do seu lançamento, comentários bastante favoráveis da crítica especializada.

Ainda pela gravadora Chantecler, lança no ano seguinte (1976) outro LP, intitulado Pequenino. Dessa vez a produção se esmerou (o que não aconteceu com o primeiro), e o disco, tecnicamente irrepreensível, trouxe um time de músicos e arranjadores da pesada como João de Aquino, Waldir Silva, Altamiro Carrilho, Luna, Eliseu, Marçal, Jorginho, Pedro Sorongo e um coro de primeira com Dinorá, Zélio, Eurídice, Da Fé, Therezinha e outros. No repertório desse LP destacam-se os sambas De Menor, Dois de Fevereiro e In-Lê-In-Lá. Estava então consolidado o seu nome no universo fonográfico brasileiro. São vários os convites para participar de shows e apresentações em rádio e TV.

Participou, em 1977, na rádio Jornal do Brasil RJ como entrevistado especial do programa Especial JB-AM, apresentado pelo radialista Haroldo Saroldi. Já consagrado na mídia, Ederaldo retoma em Salvador aos seus shows. Ao seu lado grandes companheiros do mundo do samba como Edil Pacheco, Batatinha, Riachão, Nelson Rufino, Walmir Lima e outros. No final da década de 70, protagoniza ao lado de Edil Pacheco e Batatinha (já falecido) o show O Samba Nasceu na Bahia, que ficaria célebre na história da música baiana.

A despeito da qualidade do seu trabalho, inexplicavelmente permanece cerca de sete anos sem gravar. Parece que os seus discos não alcançaram vendagens que atendessem às expectativas financeiras dos executivos das gravadoras.

Devido a esse "jejum" fonográfico, resolve lutar contra a indiferença para com o seu trabalho. Começa no ano de 1982 a produzir um disco independente, concluindo o projeto dois anos depois com o lançamento do LP denominado Identidade. Esse disco foi todo gravado nos estúdios da WR em Salvador, contando com o apoio de diversos amigos. Entre esses, alguns músicos, compositores, divulgadores e outras pessoas identificadas com o projeto. Em seu texto, na contra-capa do disco, ele cita todas as pessoas (uma relação enorme) que o ajudaram nesse trabalho.

Sobre o valor do Ederaldo Gentil como compositor, o produtor e crítico musical Roberto Moura, assim se expressa na contra-capa do disco Pequenino: "Ederaldo guarda um estilo macio. Mesmo nos temas ácidos. Talvez alguma coisa entre Ataulfo Alves e seu parceiro Batatinha".

O DECLÍNIO

Durante todos esses anos, continuou junto com os parceiros Edil Pacheco e Batatinha, promovendo a anual festa da noite do samba na Bahia todo dia 2 de dezembro. O tempo passou e Ederaldo Gentil viu o seu nome sendo pouco a pouco esquecido pela mídia e pelas gravadoras. As suas canções, consagradas por vários cantores nacionais, ainda continuavam sendo executadas nos bares das noites baianas, porém muitos nem sabiam que eram de sua autoria. Contam os amigos que, antes da reforma do bairro do Pelourinho, ele ainda gostava de circular pelas ruas do Centro Histórico, e, às vezes, chegava a corrigir quando os cantores e boêmios erravam cantando suas músicas. Esse fato se deu mais de uma vez no espaço cultural da Cantina da Lua no Terreiro de Jesus.

Os anos 90 seriam terríveis para os artistas tradicionais do samba baiano. A invasão do fenômeno batizado primeiramente de fricote e mais tarde, indevidamente, de axé-music, é a pá de cal para a música de Ederaldo Gentil e outras da mesma linha. O historiador Luiz Américo Lisboa Júnior, em seu livro 81 Temas da Música Popular Brasileira, conta que no ano de 1991 Ederaldo participou, com outros compositores do samba tradicional, de um projeto que usava a tecnologia do trio elétrico para apresentar um outro lado do carnaval baiano. Houve até apoio da prefeitura, mas o momento era ingrato, pois a concorrência com as estrelas da chamada axé-music era desleal. Tudo isto, somado à intolerância de algumas pessoas, foi a gota d´água para Ederaldo Gentil. Vencido, e sem forças para resistir, entrega os pontos afastando-se de vêz do mundo artístico.

Provavelmente tudo isso deve ter contribuído para que ele tenha se entregue ao desânimo e ao pessimismo, comportamentos que o levaram a um isolamento do mundo artístico e social. Hoje vive recolhido a um exílio voluntário, dentro da sua casa no bairro da Vila Laura, onde reside com a irmã Denise Gentil e outros familiares.

AS HOMENAGENS

No ano de 1999, o seu parceiro e amigo Edil Pacheco produziu o CD "Pérolas Finas", patrocinado pela Copene (Companhia Petroquímica do Nordeste) e apoiado pelo órgão do estado o FAZCultura, que mostra uma visão da carreira de Ederaldo Gentil. O disco conta com participações especiais do saudoso João Nogueira, Carlinhos Brown, Elza Soares, Beth Carvalho e Gilberto Gil, entre outras. Do repertório do autor foram escolhidas músicas como por exemplo "Saudade Me Mata", "Rose", "Barraco" e "Identidade". O disco é um primor como representação da pequena, porém valiosa, obra de Ederaldo Gentil.

Nesse CD, todos os artistas que participaram do projeto o fizeram com um carinho muito grande pelo trabalho do compositor baiano. As músicas são quase todas releituras de outras gravações, exceto a "Maria da Graça", até então inédita. Esta canção estava a cargo da interpretação de Chico Buarque, que no momento da gravação não pode estar presente, cabendo ao incansável companheiro Edil Pacheco interpretá-la.

Gravado basicamente nos estúdios da WR (Salvador) e Cia dos Técnicos (Rio), além dos intérpretes, o CD traz um time de músicos de primeira como Cristóvão Bastos, Luciana Rabello, Carlinhos Marques, Ivan Bastos, Maurício Carrilho e outros. A ilustração da capa, que é um primor de imagem, ficou a cargo da competência de Elifas Andreatto. "Pérolas Finas" já pode ser considerado um clássico da MPB. Está necessitando de uma outra edição, visto que a primeira de três mil discos está esgotada. Sobre o disco assim se expressou o produtor, Edil Pacheco: "Tive uma felicidade na escolha dos intérpretes. Os músicos participaram de boa vontade. O disco serve para mostrar a obra do Ederaldo de uma forma mais ampla... ele é um poeta!".

O lançamento desse disco aconteceu às 19 horas do dia 08 de setembro de 1999, na Praça Tereza Batista, no Pelourinho onde foi oferecido um caruru aos convidados. Entre os artistas presentes no evento estavam alguns dos que participaram do disco como Jair Rodrigues, João Nogueira, Lazzo, Vânia Bárbara, e Paulinho Boca de Cantor. Alguns até adiaram compromissos para prestigiarem o homenageado. Entre o público em geral, pessoas de renome, como os artistas Duda Valverde, Carlinhos Cor das Águas, Clécia Queiroz, o poeta José Carlos Capinan, a coordenadora do Projeto Pelourinho Dia & Noite, Tânia Simões, além de muitos amigos, admiradores e gente interessada do meio cultural.

No dia 5 de outubro de 1999, às 18 horas, a rádio EDUCADORA FM apresentou o seu programa ESPECIAL DAS SEIS, todo dedicado ao disco Pérolas Finas - Homenagem a Ederaldo Gentil, apresentando as músicas: Luandê, com Gilberto Gil; A Saudade Mata, com Elza Soares; e Barraco, com Carlinhos Brown, entre outras.

OS PARCEIROS E SUCESSOS

Embora Ederaldo Gentil seja um compositor completo (muitas de suas canções não têem co-autores), não se pode esquecer daqueles compositores seus parceiros que, sem dúvidas, auxiliaram no brilho de suas criações. São eles: Edil Pacheco, Batatinha, Nelson Rufino, Paulinho Diniz, Eustáquio Oliveira, Luiz Carlos Capinam, Anísio Félix, Roque Ferreira e Gereba. Destaque também para os cantores que interpretaram suas músicas como os já citados Jair Rodrigues, que foi o primeiro grande incentivador, Conjunto Nosso Samba e Alcione (Feira do Rolo), além de Roberto Ribeiro (Rose, c/ Nelson Rufino), Lazzo e outros.

Escrito por Miguezim às 22h43
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HOMENAGEM A EDERALDO GENTIL, O OURO DO SAMBA 

O sambista baiano Ederaldo Gentil morreu na noite da última sexta-feira, aos 68 anos. O músico foi internado na quinta-feira, no hospital Ernesto Simões Filho, em Salvador, Bahia, com dores abdominais. Segundo informações divulgadas pela família, Gentil morreu de falência múltipla dos órgãos. O corpo do músico foi enterrado no sábado, no Cemitério Campo Santo, na Bahia.

Nascido em 7 de setembro de 1943, Gentil é contemporâneo de Edil Pacheco e Batatinha, ao lado dos quais ganhou reconhecimento. Entre os seus maiores sucessos está o samba O ouro e a madeira, gravado por Clara Nunes. Ao longo de sua carreira musical, lançou cinco discos, entre eles Triste samba - O ouro e a madeira, em 1973, pela Chanteclair.

Veja texto assinado por Lourival Augusto, em fevereiro de 2001, sobrea biografia do artista:


Ederaldo Gentil, cantor e compositor, nasceu no dia 7 de setembro de 1943, no Largo Dois de Julho, um dos tradicionais bairros do centro de Salvador. Seus pais foram D. Maria José de Souza (D. Zezé) e Sr. Carlos Gentil Peres, antigo relojoeiro da capital baiana. Foi no Largo Dois de Julho que o menino Ederaldo Gentil passou parte da sua infância, brincando, estudando e trabalhando na modesta oficina do pai. Foi desta forma que aprendeu o ofício de relojoeiro o que ajudava nas rendas financeiras da família bastante numerosa.

Ainda adolescente mudou-se para o bairro do Tororó, também na área central da cidade, que era nessa época, o mais forte reduto do carnaval baiano. Ali podiam ser encontradas diversas agremiações carnavalescas, como o bloco Os Apaches do Tororó, a Escola de Samba Filhos do Tororó, entre outras. O menino Ederaldo começou bem cedo o gosto pelo carnaval, acompanhando o pai nos bailes à fantasia que eram realizados nos clubes tradicionais da cidade.

Por residir perto do QG do samba baiano, Ederaldo passou a freqüentar os ensaios da bateria da escola Filhos do Tororó. A sua facilidade em tocar instrumentos rítmicos logo despertaria a curiosidade e atenção dos mais velhos e compenetrados sambistas. Desses, em especial Arnaldo Silva (o Sêu Arnaldo), então presidente da Escola, foi quem lhe deu primeiro incentivo para o entrosamento no mundo do samba. Ainda adolescente, Ederaldo começa a elaborar as suas primeiras composições, participando ativamente da ala dos compositores da escola de samba Filhos do Tororó. Os seus sambas passam a ser cantados nos ensaios da escola.

A LUTA DO DIA A DIA

Do lado de cá, as dificuldades da vida obrigavam o jovem Ederaldo a procurar outras atividades profissionais para sobreviver. Por esse período, chegou a ter uma rápida passagem pelo mundo do futebol, onde atuou como meia-esquerda no Esporte Clube Guarany. Fazia uma dupla imbatível com o ex-jogador André Catimba, este que seria, mais tarde, um dos maiores nomes da história do Esporte Clube Vitória. Consta que Ederaldo Gentil chegou também a treinar no Vitória, porém a sua vocação maior não era o futebol, e sim, a música popular, e em especial, o samba. Contam os que o viram jogar que, comparado a muitos dos “craques” de hoje, o Ederaldo teria, com certeza, espaço em qualquer grande clube do Brasil ou do exterior, entretanto a música falaria mais alto em sua opção de vida.

Por esse tempo continuava ligado à música compondo suas canções. No ano de 1967 vence um concurso municipal para o carnaval de Salvador com a música "Rio de Lágrimas", defendida pela cantora Raquel Mendes. A partir daí, durante alguns anos, torna-se presença constante nesses concursos, sempre obtendo as primeiras colocações. Chegou a repetir a façanha de obter o primeiro lugar por três anos consecutivos.
Uma das composições vitoriosas dessa fase foi o samba "Esquece a Tristeza" que seria gravado mais tarde pelo cantor e compositor Tião Motorista, já falecido. Ainda em 1967, vence o concurso interno de samba-enredo da escola Filhos do Tororó com a música "Dois de Fevereiro", a qual aborda o tema da famosa festa de Yemanjá, que acontece anualmente no bairro do Rio Vermelho. Foi nesse ano que ele teve, pela primeira vez, a alegria de ter dois sambas seus na boca do povo.

No ano de 1969 houve um fato, inusitado até hoje, na história do carnaval baiano, quiçá do país. Indisposto com as dissenções internas da sua escola, Ederaldo resolve se afastar. Imediatamente seria assediado pelas escolas concorrentes que o convidam para compor seus sambas-enredos. O resultado foi que, no carnaval de 1970, todas as outras nove escolas de samba de Salvador saíram no desfile principal da cidade com sambas-enredos assinados pelo mesmo compositor, Ederaldo Gentil. A única que não trazia essa autoria era, simplesmente, a sua escola - Filhos do Tororó. Esse fato por si só já seria digno de registro no livro de recordes - O Guinness Book.

A ESTRÉIA NACIONAL

Como compositor urbano, fora do ambiente carnavalesco, Ederaldo Gentil aportou para valer na cena da MPB no ano de 1970 através das composições Berequetê e Alô Madrugada (esta última em parceria com Edil Pacheco). O criador desses sucessos foi o cantor paulista Jair Rodrigues, na época um dos nomes de maior cartaz como sambista. Foram gravadas no disco LP “Talento e Bossa – JAIR RODRIGUES”, Philips R765. 117, ano de 1970. Foi o batismo musical deste jovem e talentoso músico. Essa abertura facilitou-lhe a aproximação com outros cantores nacionais como Alcione, Eliana Pittman, Leny Andrade e Conjunto Nosso Samba que se interessaram por suas músicas. Estava dado o primeiro passo para ter, dessa forma, o devido reconhecimento nacional como compositor.

Em 1972, transferiu-se temporariamente para a cidade de São Paulo onde tenta gravar o seu próprio disco. Nesse tempo, recebeu o incentivo e a ajuda de pessoas como o ator Juca de Oliveira, o produtor e pesquisador musical Fernando Faro, Walter Silva - o “Pica-Pau” e o Magno Salermo. Esse tempo na capital paulista se dividia em apresentações em programas de rádio e também de TVs, como a TV Cultura e a TV Record (Mixturação).

Embora contasse com a boa vontade dos amigos paulistas, o disco demorava a sair, e, decepcionado, retorna no final de 1972 à sua Bahia. É o reencontro com a família, os amigos e também com seu ofício de relojoeiro. Reaproxima-se também da sua escola de samba, onde, após as pazes com os dirigentes, resolve participar do enredo daquele ano que comemorava o cinqüentenário da maior ialorixá da Bahia, Menininha do Gantois. O seu samba "In-Lê-In- Lá" é, para variar, novamente o vencedor desse ano. Seria também a sua despedida da atividade de compor sambas-enredos. Essa música seria gravada por ele próprio alguns anos depois no seu segundo disco LP.


Escrito por Miguezim às 22h41
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25/03/2012





AMOR TEMPERADO


Miguezim de Princesa


Uma baiana de acarajé
Era o que faltava
Para apimentar a vida.
Malagueta, de cheiro,
Umbigo de moça,
Seios de fartura.
As mãos, o sexo, o coração,
O tempero da baiana,
O vatapá e o caruru,
Volúpia e gula no amor
Miguezim de Princesa

Escrito por Miguezim às 20h54
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08/03/2012


OS SEIOS DA TERRA

(Em homenagem às mulheres do mundo)

Miguezim de Princesa

 

Meu peito é eterna bondade-semente

da mãe-natureza, prenhe de doces frutos,

o sangue corrente nas veias da gente

é o mesmo que corre nos bichos mais brutos.

 

Meu peito é um rio de águas bem claras

que o homem moderno inda não sujou,

seu leite é o leito onde as aves mais raras

molham as belas penas quando faz calor.

 

Meu peito sacia a fome de amor

de paz e justiça dos filhos da terra.

Bicho-homem, perdido em intensa agonia,

 

Meu peito é um bálsamo que cura tua dor.

Queria que os meninos da rua e da guerra

mamassem em meu peito a eterna alegria.

Escrito por Miguezim às 07h40
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21/02/2012


 Deu na coluna do Cláudio Humberto publicada em 35 jornais brasileiros

Para gostar de ler


“Para gostar de ler”, livro de cordel de Miguezim de Princesa, acaba de sair da gráfica, após conquistar o Prêmio Mais Cultura de Literatura Popular Patativa do Assaré, do Ministério da Cultura, concorrendo com milhares. O autor tem cordéis estudados no Trinitty College, nos EUA.

Comentários no Blog do Tião Lucena (www.blogdotiaolucena.com.br) e no Facebook:

  • Leitores de todo o país

    Paulo Henrique, Carlos Ivo, Carmela Talento e outras 21 pessoas curtiram isso. 3 compartilhamentos Cida Lobo Show, 10, arrasou Miguel Lucena Filho, voce merece isso e muito mais!!! há 12 horas · Curtir (desfazer) · 1 Miguel Lucena Filho Abração, Cida. Estou com saudades dos amigos da Paraíba e da Bahia... há 11 horas · Curtir Eliane Caetano Eita caba arretado esse Miguezim...arrasa mesmo!! Parabéns,vc é um orgulho pra nós Princesences !!!agora esperaremos pra ler o livro:* há 11 horas · Curtir (desfazer) · 1 Sandra Lôbo Parabens, quero ler tambem. há 10 horas · Curtir (desfazer) · 1 Veronica Vicente Parabéns ... há 10 horas · Curtir Cleber Monteiro Parabéns.... há 10 horas · Curtir (desfazer) · 1 Nilda Maria Cordeiro Lopes Parabéns! Quero muito ler o livro, adoro Cordel! há 10 horas · Curtir (desfazer) · 1 Nininha Lucena Parabéns! preciso ler. há 9 horas · Curtir Margarida Neide Parabénsssssssss! Quero ler! Abç, há 9 horas · Curtir (desfazer) · 1 Rena Bezerra Eita, que o cabra é bom !!! há 8 horas · Curtir Alfredo Rocha Nogueira Taí boa dica para um autodidata...obrigado doutor! há 8 horas · Curtir Kelma Li Como sempre um sucesso!!!Parabéns há 7 horas · Curtir Ana Luiza Andrade Parabéns vc merece. O cordel e uma delicia, ainda bem que temos vc como representante da literatura nordestina. Abraços há 6 horas · Curtir Miguel Lucena Filho Muito obrigado, amigos e amigas! há 6 horas · Curtir Renir Vital Adriano Barbosa Parabéns Miguel! Have I told you that I am proud of you? há 3 horas · Curtir (desfazer) · 1 Miguel Lucena Filho Yes, I do. Thank you! há 3 horas · Curtir Miguel Lucena Filho Esse meu ingrês.... há 3 horas · Curtir Carlos Ivo Parabéns!!! há 3 horas · Curtir

  • Comentário:

  • Nome: Chico Chagas

    Parabéns, poeta Miguezim de Princesa. Digno representante, defensor e divulgador da literatura de cordel, agora, para o mundo. O cordel continua vivo. Afetuoso abraço de Chico Chagas, Guarabira-PB.

  • Comentário:

  • Nome: livre para votar

    Concordo c/ o cão aí embaixo. Tião baba mto esse miguezim. Eu acho q ele é candidato a algum cargo e Tião já está fazendo campanha p/ ele. Já vou avisando: campanha sem dinheiro não rola...

    Não, ele é meu irmão caçula e um dos mais talentosos poetas populares da atualidade, além de ser jornalista de primeira linha, com experiência internacional,bacharel em Direito, especialista em Inteligência Estratégica e delegado de Polícia do Distrito Fed

     
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  • Nome: CÃO HIDRÓFOBO

    Eitá! Miguezim de novo, ninguém aguenta! Para com isso Tião tu que vender esse peixe na marra... Imgainem o cara é o mais inteligente; é o melhor delegado do mundo; é o delegado que prende mais bandido nesse país. Para com isso velho, dá até azar.

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  • Nome: armando

    parabéns miguezim,por levar princesa a onde ela nunca foi,ficamos felizes.

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  • Nome: João

    Que merda, você só coloca porque é seu irmão

    Inveja matou Caim!

     
  • Comentário:

  • Nome: Francisco de Assis Rodrigues

    A POESIA NASCEU PARA VOAR NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO. Miguezin, de Princesa para o mundo! Parabéns conterrâneo velho de guerra; sua poesia ganha as alturas da liberdade e da expressão; um elogio à nossa imaturidade fundamental. Com abraços de Chiquim de Zezim Ourives.

Escrito por Miguezim às 22h31
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