Blog do Miguezim de Princesa


02/07/2009


Ode ao dous de julho

 (Recitada no Teatro de São Paulo)

CASTRO ALVES

Era no Dous de Julho. A pugna imensa
Travara-se nos cerros da Bahia...
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
"Neste lençol tão largo, tão extenso,
"Como um pedaço roto do infinito ...
O mundo perguntava erguendo um grito:
"Qual dos gigantes morto rolará?! ...

Debruçados do céu. . . a noite e os astros
Seguiam da peleja o incerto fado...
Era tocha - o fuzil avermelhado!
Era o Circo de Roma - o vasto chão!
Por palmas - o troar da artilharia!
Por feras - os canhões negros rugiam!
Por atletas - dous povos se batiam!
Enorme anfiteatro - era a amplidão!

Não! Não eram dous povos os que abalavam
Naquele instante o solo ensangüentado...
Era o porvir - em frente do passado,
A liberdade - em frente à escravidão.
Era a luta das águias - e do abutre,
A revolta do pulso - contra os ferros,
O pugilato da razão - com os erros,
O duelo da treva - e do clarão! ...

No entanto a luta recrescia indômita
As bandeiras - corno águias eriçadas -
"Se abismavam com as asas desdobradas
Na selva escura da fumaça atroz...
Tonto de espanto, cego de metralha
O arcanjo do triunfo vacilava...
E a glória desgrenhada acalentava
O cadáver sangrento dos heróis!

Mas quando a branca estrela matutina
Surgiu do espaço e as brisas forasteiras
No verde leque das gentis palmeiras
Foram cantar os hinos do arrebol,
Lá do campo deserto da batalha
Uma voz se elevou clara e divina.
Eras tu - liberdade peregrina!
Esposa do porvir - noiva do Sol!...

Eras tu que, com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Livre sagravas a Colúmbia terra,
Sagravas livre a nova geração!
Tu que erguias, subida na pirâmide
Formada pelos mortos do Cabrito,
Um pedaço de gládio - no infinito...
Um trapo de bandeira - n'amplidão!. ..

Escrito por mlucenafilho às 21h36
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17/06/2009


Miguel Lucena, Delegado da PCDF

Delegado é citado em doutrina
 
Trabalho jurídico desenvolvido em 1999 pelo delegado Miguel Lucena, da Polícia Civil do Distrito Federal, ganha reconhecimento agora na obra Processo Penal Esquematizado, do jurista Norberto Avena, uma das mais requisitadas do momento. Antes tida como controversa, a tese desenvolvida por Lucena, de que o preso não deve ter pleno direito ao sigilo de correspondência em face da segurança da coletividade, é tida como acertada pela doutrina.
A obra comenta que Lucena "refere, com muita propriedade, que ´a norma constitucional que assegura a inviolabilidade do sigilo epistolar não foi editada para expor os agentes auxiliares da Justiça Criminal e a comunidade à vulnerabilidade resultante de práticas ilícitas, tais como motim e arrebatamento de presos, ajustadas quase sempre por meio de correspondências´". 

Escrito por mlucenafilho às 17h48
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16/06/2009


SAUDADES DA SANFONA

Miguezim de Princesa

Capital não tem fogueira
quando é festa de São João,
o céu fica sem balão,
a pamonha aqui não cheira;
no céu só a fumaceira,
chaminé da exploração.
Por dentro, meu coração,
zabumbando meio mole,
escuta chorando o fole
na Serra do Gavião.

O calor dessa canção
movida a som de sanfona
meu coração apaixona
de saudades do sertão.
Olho para o matulão
da estrada da saudade
e aí me dá uma vontade
de voltar pra minha terra,
matar de cima da serra
de inveja a humanidade.

Escrito por mlucenafilho às 22h19
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01/06/2009


BAILE DA SAUDADE

Miguel Lucena - Miguezim de Princesa

(Lembrando de Zé Barros)

A caminhada não terá remanso:

duras as pedras no caminho da história.

Mas, se um dia eu merecer a glória,

que não mereço nem alcanço,

ainda assim não terei descanço:

Serei o último lutar da rua,

beberei a última saideira,

direi que amo a mesma companheira

que há tantos anos me encanta - nua.

Que no último brinde haja amigos,

dois violeiros para uma cantoria,

duas lágrimas dos olhos de uma Maria,

que não me deixa só - quer ir comigo.

E quando um dia, no baile da saudade,

a alegria brotar de quem chorava,

farei do riso a graça que faltava,

dançando balé com a liberdade!

Escrito por mlucenafilho às 08h09
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31/05/2009


 

 A POESIA DE MIGUEL LUCENA

 

José Virgolino de Alencar



As poesias, no estilo do criativo verso popular, de Miguel Lucena, o Miguezim de Princesa têm sido publicadas e republicadas nos mais variados sites e portais, podendo-se afirmar que já é um grande sucesso.

O que pouca gente sabe é que Miguel Lucena também é um poeta na linha da erudição, como prova o seu livro “Verso Menino”, lançado em 1995, pela Editora BDA-Bahia Ltda., com prefácio de Vital Farias.

Os poemas de Miguel, sonetos e outros gêneros, mostram aquela poesia sentimental que sai da alma, em bem construídas estrofes, com a verdadeira qualidade da arte poética.

Vejam o soneto que abre e dá título ao livro:

VERSO MENINO

Meu verso passa ao largo das academias.
É rude, torto, desengonçado.
Imita passos – matuto apressado.
Tem pressa de passar da noite ao dia.

Engatinha, quer conhecer luzes e cores,
Vozes e mais vozes, mundo estranho,
Bebê contente na hora do banho
Mergulhado em aromas bons de flores.

É ainda a marca da contradição:
Brinca, fecha a cara, chora,
Ri, ousa, briga, esmorece, anima.

É como a terra seca do sertão
E é fértil e mãe, quando a chuva não demora,
E faz brotar do chão botões de rima.

Modéstia do poeta. Seus versos entram nas academias, nada tem de rude, é reto e bem perfilado. Estará nos anais da cultura.

Transcrevo mais um:

O CORTEJO

Vê-se à frente um caixãozinho azul.
Segue célere o fúnebre cortejo
Pelas ruas do acanhado vilarejo.
Leva uma criança a quem faltou angu.

Atrás, uma multidão de olhos azulados,
Pele amarela e destino incerto
Realiza agônico concerto
De rezas, risos, choros e dobrados.

É fim de tarde, o sol vai se escondendo,
Surgem dezenas de anjos da bondade...
O sino dobra e repica na igrejinha

Anunciando mais um que está morrendo
Sob as vistas da soberba humanidade.
Enquanto isso, a multidão caminha...

Taí. Popular ou erudita, da lavra de Miguel Lucena não se faz diferença, é só genialidade. No livro, são dezenas de poesias, todas boas de se ler, de se deleitar, de se curtir.

Escrito por mlucenafilho às 22h12
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COCO DE PRAIA

Coco dançado pelo velho Migué Fotogra:

 

EU TENHO RAIVA DA MORTE,

QUE A MORTE MATOU MEU PAI.

A GENTE MATA E VAI PRESO,

A MORTE MATA E NÃO VAI.

Escrito por mlucenafilho às 21h54
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30/05/2009


E TOME POESIA!

 

 

Improvisos de Ivanildo Vilanova e Sebastião da Silva com o mote:

Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou

Ivanildo Vilanova

Eu já fui igualmente um samurai,
porém vi se quebrar minha coluna,
que a volta no jogo da fortuna,
pois a gente não sabe aonde cai,
eu fui filho, fui noivo, hoje sou pai,
já fui neto, e já hoje sou avô,
e o relógio do tempo não quebrou,
porém deu um defeito no seu pino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.

Sebastião da Silva

Já estou diferente de maneira,
só não sei se vou mais pra qualquer praça,
se eu sinto a tristeza ou a desgraça,
se sou forte e se já tenho canseira,
eu sou sei que a minha cabeleira,
era preta e branquinha já ficou,
e o fantasma do tempo carregou
os meus sonhos do tempo de menino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.

Ivanildo Vilanova

No meu peito explodiu a dinamite,
vejo o mundo mostrar como é que vive,
com os dois casamentos que eu já tive,
mas eu sei que a terceira é o limite,
a primeira mulher deu o desquite,
a segunda também me abandonou,
eu sou velho pra ser um gigolô,
pra casar outra vez, sou um menino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.

Sebastião da Silva

Eu não sei se meu filho me obedece,
nem também se a filha me aceita,
nem também se meu neto me respeita,
e se a minha mulher se aborrece,
eu só sei que estou no sobe e desce,
procurando no palco fazer show,
eu só sei que poeta ainda sou,
repentista, boêmio e nordestino.
Eu já tive nas mãos o meu destino,
mas agora eu não sei pra onde vou.
 

Escrito por mlucenafilho às 14h31
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23/05/2009


O Planeta Movido a Internet é Escravo da Tecnologia

Os Nonatos

 Raimundo Nonato e Nonato Costa

O visor como tela de TV,
O teclado acessível como book
Pra maiúsculo ou minúsculo é Caps "Look" (Lock)
Pra mandar imprimir é Control P
Com o micro'' Sansung e LG

e os programas que a Apple financia
A indústria da datilografia nunca mais vai fazer máquina Olivetti
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Quem se pluga em milésimo de segundo
E se conecta ao portal e seus asseclas
Basta apenas tocar numa das teclas que o visor nos transporta a outros mundos
Desde a terra dos solos mais fecundos
Ao espaço onde o vácuo se inicia
Quem formata depois cola, copia e prende o mundo na grade de um disquete
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia
A indústria se auto-destruindo
Descartou o compacto e LP
Veio o surto da febre do CD e DVD mal chegou e já está saindo
MD não há mais ninguém pedindo
Nu''a DAT gravar ninguém confia
Fita BASF tem pouca serventia e ninguém quer mais nem ver videocassete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Brasil SAT é mais uma criação que nos nossos vizinhos deu insônia
O Sivam espiona a Amazônia evitando que haja outro espião
É por via satélite a transmissão que não tem transmissão por outra via
Uma antena seqüestra a sintonia pra DirecTV, Sky e Net
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Transatlânticos no mar fazem cruzeiros
E pelos micros das multinacionais
Hoje tem conferências virtuais com os executivos estrangeiros
O email é correio sem carteiros, tanto guarda mensagem como envia
Os robôs usam chip e bateria e videogame é brinquedo de pivete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Cibernética na prática e no papel deixa os seres online e ganham IBOPE
Com Word tem Palm e laptop e ainda mais PowerPoint e Excel
É possível quem mora em Israel pelo Messenger teclar com a Bahia
Se os autômatos ganharem rebeldia tenho medo que a máquina nos delete
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Pra prever terremotos e tufões os sismógrafos têm números numa escala
E o trem-bala é veloz como uma bala numa linha arrastando dez vagões
No Japão e na China as construções já suportam tremor e ventania
Torre, ponte, edifício, rodovia são perfeitos do jeito da maquete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Nosso pouso na lua foi suave, um robô foi a Marte e se deu bem
Estão querendo ir ao Sol, mas o Sol tem de calor um problema muito grave
Mas a NASA não tem espaçonave que suporte essa carga de energia,
Se for feita de fibra, se desfia, e de alumínio o monstrengo se derrete
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Motorola trocou técnica e conselho, Nokia e Siemens galgaram patamares
Já estão fora de moda os celulares que têm câmera e visor infravermelho
Reduzindo o tamanho de aparelho, a Pantech fez mais do que devia
Que a memória de um chip não podia ser mais grossa que a lâmina de um Gillete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia
Hoje a Bombardier não fere as leis e a Embraer mãe de Sênecas e Tucanos
Invísivel aos radares há dois anos, já existe avião que a Sukhoi fez
É da Nasa o XA-43 que voando tem mais autonomia
Um piloto automático opera e guia o Airbus e o 747
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Escrito por mlucenafilho às 21h15
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20/05/2009


MIGUEZIM DE PRINCESA e VITAL FARIAS

 

E TOME POESIA!

 

Miguezim de Princesa verseja no mote:
100 MIL VOTOS SEM PEIAS NEM CURRAIS
NUNCA PODEM CAIR NO ESQUECIMENTO



ENFRENTANDO PODEROSOS DE PLANTÃO,
O CANTADOR-SENADOR VITAL FARIAS
BRADOU ALTO CONTRA AS PATIFARIAS
E AS PROPINAS DA VIL CORRUPÇÃO
(QUE NÃO SUGA DE POUCO, É DE MILHÃO),
E POR ISSO ALCANÇOU MERECIMENTO.
SÓ COM UM MEGAFONE E UM JUMENTO,
ABALOU SISTEMAS DESLEAIS:
100 MIL VOTOS SEM PEIAS NEM CURRAIS
NUNCA PODEM CAIR NO ESQUECIMENTO.


VITAL FARIAS RESPONDE:
Eu peguei uma pipa em Soledade
Fui voando bater lá em Campina
Fui então descobrir que a minha sina
Era ser um piloto de Verdade,
Nas Alturas eu vi DEUS na Eternidade
Eu com ele Flutuando em pleno vento
Me agarrei no cordão do pensamento
Quando DEUS,suspirando e dando ais.(disse assim:!!)
100 MIL VOTOS SEM PEIAS NEM CURRAIS
NUNCA PODEM CAIR NO ESQUECIMENTO

Miguezim de Princesa arremata:
 
SENADOR INDA É POUCO PRA VITAL
- DISSE DEUS, CONVERSANDO COM O POETA.
SE ESSE POVO SEGUIR UMA LINHA RETA
VAI MUDAR DO SERTÃO À CAPITAL.
OLIGARCA NESSE DIA PASSA MAL
E VITAL GOVERNADOR É NOSSO ALENTO.
NESSE INSTANTE SUBIU AO FIRMAMENTO
E SEM MUDANÇA NÃO VOLTA NUNCA MAIS:
100 MIL VOTOS SEM PEIAS NEM CURRAIS
NUNCA PODEM CAIR NO ESQUECIMENTO. 

Escrito por mlucenafilho às 09h05
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12/05/2009


O difruço da porca

 Miguezim de Princesa

 

I

Meus senhores e senhoras,

A Providência Divina

Manda mais de um recado

Para evitar a ruína:

Manda enchente e furacão,

Tormento e devastação

E até gripe suína.

 

II

É tanta notícia ruim

Emporcalhando a estrada,

Pedras de decepção

Atrasando a caminhada,

Tanta sombra na centelha,

Que até a porca velha

Resolveu ficar gripada.

 

III

O porco novo saiu

Uma noite do chiqueiro,

De manhã voltou com uma mala

Entupida de dinheiro,

Mas deu na televisão

Que um bacurim ladrão

Tinha roubado os brasileiros.

 

IV

A porca, vendo a notícia,

Entrou logo em desespero,

O bacurim de gravata

Saltou pro meio do terreiro,

Disse: “Pai também roubou,

Nosso chiqueiro aumentou

E investe no estrangeiro.

 

V

O nosso vizinho do lado

Tem castelo e avião,

Tá se lixando pro povo,

Que se dane a multidão,

O que vale é ter poder,

Um cocho pra se comer

E uma conta de um bilhão.

 

VI

Vou investir o dinheiro

Num paraíso fiscal,

Depois dizer que quebrei

E estou passando mal

Que o Estado-Barrão

Aumenta arrecadação,

Fecha escola e hospital.

 

VII

Pega todo o capital

Escorchante do intruso,

Esparrama no chiqueiro

De um jeito muito confuso,

Numa gastança de orgia

Que o porco de alegria

Sai rodando o parafuso.

 

VIII

E sai enganando a quem

Não é do mundo suíno:

Uma chita pras mulheres,

Uma chupeta pro menino

E uma cesta de comida

A quem só resta na vida

Um lampejo bem mofino”.

 

IX

Um bilhão passando fome,

Nos quatro cantos do mundo,

E quem só tem o salário

Xingado de vagabundo,

Chupa-cabra da Nação.

O negócio é ser barrão

E ter dinheiro no Fundo.

 

X

A porca indagou do filho,

De uma forma assim bem por alto:

E se a Polícia te pega

Roncando dentro do mato?

Bacurim diz: “É comédia,

É inventar uma tragédia

Que logo esquecem o assalto!”.

 

XI

E então mandou que a mãe

Ficasse logo acamada

De uma doença terrível

(Uma gripe mal curada,

Quase uma gripe espanhola),

Aí fecharam a escola,

O botequim e a estrada.

 

XII

Mandaram fazer vacina

Para o Estado comprar,

Esparramaram o produto

Por terras do além-mar

E dentro dos escritórios

Porcos de laboratórios

Lucraram até enjoar.

 

XIII

O sul se acabando em seca

E o Nordeste em enchente,

A dengue, a safra de anjos

No cortejo impenitente

E o mundo da porcaria

Inventa uma gripe vadia

Para engambelar a gente.

Escrito por mlucenafilho às 07h28
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11/05/2009


GRAVADOR

Patativa do Assaré

 

Gravador, que está gravando

Aqui no nosso ambiente,

Tu gravas a minha voz,

O meu verso, o meu repente,

Mas gravador tu não gravas

A dor que o meu peito sente.

 

Tu gravas em tuas fitas

Com a maior perfeição

O timbre da minha voz

E a minha fraca expressão,

Mas não gravas a dor grave

Gravada em meu coração.

 

Gravador, tu és feliz

E ai de mim, o que esperar?

Bem podes ter desgravado

Quem em tua fita está,

Mas a dor do meu coração

Jamais se desgravará.

Escrito por mlucenafilho às 23h50
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10/05/2009


OS SEIOS DA TERRA

(Em homenagem às mães)

Miguel Lucena

 

Meu peito é eterna bondade-semente

da mãe-natureza, prenhe de doces frutos,

o sangue corrente nas veias da gente

é o mesmo que corre nos bichos mais brutos.

 

Meu peito é um rio de águas bem claras

que o homem moderno inda não sujou,

seu leite é o leito onde as aves mais raras

molham as belas penas quando faz calor.

 

Meu peito sacia a fome de amor

de paz e justiça dos filhos da terra.

Bicho-homem, perdido em intensa agonia,

 

Meu peito é um bálsamo que cura tua dor.

Queria que os meninos da rua e da guerra

mamassem em meu peito a eterna alegria.

Escrito por mlucenafilho às 19h48
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08/05/2009


COMÍCIO DE BECO ESTREITO

Jessier Quirino

Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição.
Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido.
Uma gambiarra véa
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um taró
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer.
Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha e essa:
Três promessa por minuto.
Anunciar a chegança
Do corruto ganhador
Pedir o "V" da vitória
Dos dedo dos eleitor
E mandar que os vira-lata
Do bojo da passeata
Traga o home no andor.
Protegendo o monossílabo
De dedada e beliscão
À cavalo na cacunda
Chega o dono da eleição
Faz boca de fechecler
E nesse qué-ré-qué-qué
Vez por outra um foguetão.
Com voz de vento encanado
Com o VIVA dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar do roubo dos home
Prometer o fim da fome
E tá ganha a eleição.
E terminada a campanha
Faturada a votação
Foda-se povo, pistom
Foda-se caminhão
Promessa, meta e programa...
É só mergulhar na brahma
E curtir a posição.
Sendo um cabra despachudo
De politiquice quente
Batedorzão de carteira
Vigaristão competente
É só mandar pros otário
A foto num calendário
Bem família, bem decente:
Ele, um diabo sério, honrado
Ela, uma diaba influente
Bem vestido e bem posado
Até parecendo gente
Carregando a tiracolo
Sem pose, sem protocolo
Um diabozinho inocente

Escrito por mlucenafilho às 21h29
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04/05/2009


E TOME POESIA!

 

Versos de LOURIVAL BATISTA

Meus filhos são passarinhos
que vivem dos meus gorjeios;
eu, para encher os seus papos,
caço grãos em chãos alheios
e só boto um grão no meu
quando vejo os deles cheios...

II

Meu DEUS que sorte mesquinha
desse cego e dessa cega,
chegaram aqui na bodega,
se meteram na branquinha,
DIOGO puxa CHIQUINHA,
CHIQUINHA puxa DIOGO,
ficaram assim nesse jogo,
o carro já está no prego.
A cega puxando o cego
e o cego puxando fogo.

III

Pra cantar um desafio
a ninguém peço socorro;...
vai chegando ORLANDO TEJO,
que é da altura dum morro,
TEJO que anda esta hora
não tem medo de cachorro.

IV

Entre o gosto e o desgosto,
o quadro é bem diferente,
ser moço é ser um sol nascente,
ser velho é ser um sol posto,
pelas rugas do meu rosto,
o que fui hoje não sou,
ontem estive, hoje não estou,
que o sol ao nascer fulgura,
mas ao se pôr deixa escura
a parte que iluminou.

V

Um sábio muito profundo
me perguntou certa vez:
você já conhece os três
desmantelos deste mundo?
Eu respondi num segundo
DOIDO, MULHER e LADRÃO,
dei mais a explicação
DOIDO não tem paciência,
LADRÃO não tem consciência,
MULHER não tem coração.

VI

É muito triste ser POBRE;
pra mim, é um mal perene...
trocando o “P” pelo “N”
é muito alegre ser NOBRE;
sendo pelo “C” é COBRE,
botando o “T” fica TOURO;
como a carne e vendo a pele;
o “T” sem o traço é “L”,
termino só sendo “LOURO”.

VII

Pra ser DRAGÃO está errado;
mas LOURIVAL te explica:
tira a letra, apaga letra,
bota letra, metrifica,
apaga o D e o R,
bota o C, vê como fica.

VIII

Eu sou grande na segunda,
na terça, quarta e quinta,
na sexta, não me faltando
pincel, aquarela e tinta,
pinto, pintando o que eu pinto,
eu pinto o que Pinto pinta.

IX

O cantador repentista
em todo ponto de vista,
precisa ser um artista
de fina imaginação,
para dar capricho à arte
e ter nome em toda parte,
honrando o grande estandarte
dos oito pés de quadrão !

X

Cantador pra mim só é
se nasceu pra versejar,
como XUDU do Pilar,
MARINHO de São José,
PATATIVA do Assaré,
SILVINO da Imaculada,
um BINLINGUIN de Queimada,
JOÃO PRETO de Serraria.
Aposentei-me em POESIA,
concluí minha jornada.

XI

Não posso suportar mais
na vida tantas revoltas...
Prazer, por que não me buscas ?
Mágoas, por que não me soltas ?
Presente, por que não foges ?
Passado, por que não voltas ?

Escrito por mlucenafilho às 22h43
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01/05/2009


POESIA PARA ALEGRAR A VIDA

Versos de Pinto do Monteiro

Eu comparo esta vida
à curva da letra S:
tem uma ponta que sobe
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece

II

Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade (é lembrança)
saudade só é saudade
quando morre a esperança

III

Aonde eu chego, não vi
Mal que não desapareça
Raposa que não se esconda
Bravo que não me obedeça
Letrado que não me escute
Cantor que não endoideça

IV

Cantar com quem canta pouco
é viajar numa pista
com um carro faltando freios
o chofer faltando a vista
e um doido gritando dentro
atola o pé motorista

V

Minha corda não se estica
não se tora nem se enverga
da terra pro firmamento
meu pensamento se alberga
em um lugar tão distante
que lente nenhuma enxerga

VI

Eu vou fazer uma casa
na Serra da Carnaíba
a frente pra Pernambuco
as costas pra Paraíba
só pra não ver duas coisas:
Nem Sumé, nem João Furiba

VII

Há vários dias que ando,
Com o satanás na corcunda:
Pois, hoje, almocei na casa
Duma negra tão imunda,
Que a prensa de espremer queijo
Era as bochechas da bunda!

Escrito por mlucenafilho às 08h51
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