Miguezim de Princesa


04/04/2012


 

HOMENAGEM A EDERALDO GENTIL, O OURO DO SAMBA (Parte 2)


O OURO E A MADEIRA

Em 1975, a gravadora Chantecler o convoca de volta a São Paulo onde grava um compacto simples (vinil), que trazia as composições "O Ouro e a Madeira" e "Triste Samba", ambas de sua exclusiva autoria. A primeira composição fêz um relativo sucesso em sua voz, despertando a atenção do radialista e produtor musical Adelzon Alves, na época trabalhando com a cantora mineira Clara Nunes e outros artistas do mundo do samba. Foi no famoso programa radiofônico do Adelzon Alves, o Comando da Madrugada, da rádio Globo do Rio de Janeiro, que se decidiu a gravação do samba O Ouro e a Madeira pelo grupo Nosso Samba (acompanhantes oficiais da Clara Nunes). Essa nova gravação do samba foi, como se diz no jargão do mundo fonográfico, um estouro!

Esse destaque fêz com que a gravadora Chantecler o convidasse para uma nova gravação. Desta feita, para a sua surpresa, não mais um simples compacto, mas sim, um longa-duração (LP), o primeiro de sua carreira. E assim surge, ainda em 1975, o disco Samba, Canto Livre de Um Povo, que trazia novamente o sucesso "O Ouro e a Madeira". Esse disco é hoje uma raridade, visto que ainda não foi reeditado em CD, assim como os seus outros discos em vinil. Embora não tenha tido um maior rigor técnico da produção, esse trabalho do Ederaldo mereceu, na época do seu lançamento, comentários bastante favoráveis da crítica especializada.

Ainda pela gravadora Chantecler, lança no ano seguinte (1976) outro LP, intitulado Pequenino. Dessa vez a produção se esmerou (o que não aconteceu com o primeiro), e o disco, tecnicamente irrepreensível, trouxe um time de músicos e arranjadores da pesada como João de Aquino, Waldir Silva, Altamiro Carrilho, Luna, Eliseu, Marçal, Jorginho, Pedro Sorongo e um coro de primeira com Dinorá, Zélio, Eurídice, Da Fé, Therezinha e outros. No repertório desse LP destacam-se os sambas De Menor, Dois de Fevereiro e In-Lê-In-Lá. Estava então consolidado o seu nome no universo fonográfico brasileiro. São vários os convites para participar de shows e apresentações em rádio e TV.

Participou, em 1977, na rádio Jornal do Brasil RJ como entrevistado especial do programa Especial JB-AM, apresentado pelo radialista Haroldo Saroldi. Já consagrado na mídia, Ederaldo retoma em Salvador aos seus shows. Ao seu lado grandes companheiros do mundo do samba como Edil Pacheco, Batatinha, Riachão, Nelson Rufino, Walmir Lima e outros. No final da década de 70, protagoniza ao lado de Edil Pacheco e Batatinha (já falecido) o show O Samba Nasceu na Bahia, que ficaria célebre na história da música baiana.

A despeito da qualidade do seu trabalho, inexplicavelmente permanece cerca de sete anos sem gravar. Parece que os seus discos não alcançaram vendagens que atendessem às expectativas financeiras dos executivos das gravadoras.

Devido a esse "jejum" fonográfico, resolve lutar contra a indiferença para com o seu trabalho. Começa no ano de 1982 a produzir um disco independente, concluindo o projeto dois anos depois com o lançamento do LP denominado Identidade. Esse disco foi todo gravado nos estúdios da WR em Salvador, contando com o apoio de diversos amigos. Entre esses, alguns músicos, compositores, divulgadores e outras pessoas identificadas com o projeto. Em seu texto, na contra-capa do disco, ele cita todas as pessoas (uma relação enorme) que o ajudaram nesse trabalho.

Sobre o valor do Ederaldo Gentil como compositor, o produtor e crítico musical Roberto Moura, assim se expressa na contra-capa do disco Pequenino: "Ederaldo guarda um estilo macio. Mesmo nos temas ácidos. Talvez alguma coisa entre Ataulfo Alves e seu parceiro Batatinha".

O DECLÍNIO

Durante todos esses anos, continuou junto com os parceiros Edil Pacheco e Batatinha, promovendo a anual festa da noite do samba na Bahia todo dia 2 de dezembro. O tempo passou e Ederaldo Gentil viu o seu nome sendo pouco a pouco esquecido pela mídia e pelas gravadoras. As suas canções, consagradas por vários cantores nacionais, ainda continuavam sendo executadas nos bares das noites baianas, porém muitos nem sabiam que eram de sua autoria. Contam os amigos que, antes da reforma do bairro do Pelourinho, ele ainda gostava de circular pelas ruas do Centro Histórico, e, às vezes, chegava a corrigir quando os cantores e boêmios erravam cantando suas músicas. Esse fato se deu mais de uma vez no espaço cultural da Cantina da Lua no Terreiro de Jesus.

Os anos 90 seriam terríveis para os artistas tradicionais do samba baiano. A invasão do fenômeno batizado primeiramente de fricote e mais tarde, indevidamente, de axé-music, é a pá de cal para a música de Ederaldo Gentil e outras da mesma linha. O historiador Luiz Américo Lisboa Júnior, em seu livro 81 Temas da Música Popular Brasileira, conta que no ano de 1991 Ederaldo participou, com outros compositores do samba tradicional, de um projeto que usava a tecnologia do trio elétrico para apresentar um outro lado do carnaval baiano. Houve até apoio da prefeitura, mas o momento era ingrato, pois a concorrência com as estrelas da chamada axé-music era desleal. Tudo isto, somado à intolerância de algumas pessoas, foi a gota d´água para Ederaldo Gentil. Vencido, e sem forças para resistir, entrega os pontos afastando-se de vêz do mundo artístico.

Provavelmente tudo isso deve ter contribuído para que ele tenha se entregue ao desânimo e ao pessimismo, comportamentos que o levaram a um isolamento do mundo artístico e social. Hoje vive recolhido a um exílio voluntário, dentro da sua casa no bairro da Vila Laura, onde reside com a irmã Denise Gentil e outros familiares.

AS HOMENAGENS

No ano de 1999, o seu parceiro e amigo Edil Pacheco produziu o CD "Pérolas Finas", patrocinado pela Copene (Companhia Petroquímica do Nordeste) e apoiado pelo órgão do estado o FAZCultura, que mostra uma visão da carreira de Ederaldo Gentil. O disco conta com participações especiais do saudoso João Nogueira, Carlinhos Brown, Elza Soares, Beth Carvalho e Gilberto Gil, entre outras. Do repertório do autor foram escolhidas músicas como por exemplo "Saudade Me Mata", "Rose", "Barraco" e "Identidade". O disco é um primor como representação da pequena, porém valiosa, obra de Ederaldo Gentil.

Nesse CD, todos os artistas que participaram do projeto o fizeram com um carinho muito grande pelo trabalho do compositor baiano. As músicas são quase todas releituras de outras gravações, exceto a "Maria da Graça", até então inédita. Esta canção estava a cargo da interpretação de Chico Buarque, que no momento da gravação não pode estar presente, cabendo ao incansável companheiro Edil Pacheco interpretá-la.

Gravado basicamente nos estúdios da WR (Salvador) e Cia dos Técnicos (Rio), além dos intérpretes, o CD traz um time de músicos de primeira como Cristóvão Bastos, Luciana Rabello, Carlinhos Marques, Ivan Bastos, Maurício Carrilho e outros. A ilustração da capa, que é um primor de imagem, ficou a cargo da competência de Elifas Andreatto. "Pérolas Finas" já pode ser considerado um clássico da MPB. Está necessitando de uma outra edição, visto que a primeira de três mil discos está esgotada. Sobre o disco assim se expressou o produtor, Edil Pacheco: "Tive uma felicidade na escolha dos intérpretes. Os músicos participaram de boa vontade. O disco serve para mostrar a obra do Ederaldo de uma forma mais ampla... ele é um poeta!".

O lançamento desse disco aconteceu às 19 horas do dia 08 de setembro de 1999, na Praça Tereza Batista, no Pelourinho onde foi oferecido um caruru aos convidados. Entre os artistas presentes no evento estavam alguns dos que participaram do disco como Jair Rodrigues, João Nogueira, Lazzo, Vânia Bárbara, e Paulinho Boca de Cantor. Alguns até adiaram compromissos para prestigiarem o homenageado. Entre o público em geral, pessoas de renome, como os artistas Duda Valverde, Carlinhos Cor das Águas, Clécia Queiroz, o poeta José Carlos Capinan, a coordenadora do Projeto Pelourinho Dia & Noite, Tânia Simões, além de muitos amigos, admiradores e gente interessada do meio cultural.

No dia 5 de outubro de 1999, às 18 horas, a rádio EDUCADORA FM apresentou o seu programa ESPECIAL DAS SEIS, todo dedicado ao disco Pérolas Finas - Homenagem a Ederaldo Gentil, apresentando as músicas: Luandê, com Gilberto Gil; A Saudade Mata, com Elza Soares; e Barraco, com Carlinhos Brown, entre outras.

OS PARCEIROS E SUCESSOS

Embora Ederaldo Gentil seja um compositor completo (muitas de suas canções não têem co-autores), não se pode esquecer daqueles compositores seus parceiros que, sem dúvidas, auxiliaram no brilho de suas criações. São eles: Edil Pacheco, Batatinha, Nelson Rufino, Paulinho Diniz, Eustáquio Oliveira, Luiz Carlos Capinam, Anísio Félix, Roque Ferreira e Gereba. Destaque também para os cantores que interpretaram suas músicas como os já citados Jair Rodrigues, que foi o primeiro grande incentivador, Conjunto Nosso Samba e Alcione (Feira do Rolo), além de Roberto Ribeiro (Rose, c/ Nelson Rufino), Lazzo e outros.

Escrito por Miguezim às 22h43
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HOMENAGEM A EDERALDO GENTIL, O OURO DO SAMBA 

O sambista baiano Ederaldo Gentil morreu na noite da última sexta-feira, aos 68 anos. O músico foi internado na quinta-feira, no hospital Ernesto Simões Filho, em Salvador, Bahia, com dores abdominais. Segundo informações divulgadas pela família, Gentil morreu de falência múltipla dos órgãos. O corpo do músico foi enterrado no sábado, no Cemitério Campo Santo, na Bahia.

Nascido em 7 de setembro de 1943, Gentil é contemporâneo de Edil Pacheco e Batatinha, ao lado dos quais ganhou reconhecimento. Entre os seus maiores sucessos está o samba O ouro e a madeira, gravado por Clara Nunes. Ao longo de sua carreira musical, lançou cinco discos, entre eles Triste samba - O ouro e a madeira, em 1973, pela Chanteclair.

Veja texto assinado por Lourival Augusto, em fevereiro de 2001, sobrea biografia do artista:


Ederaldo Gentil, cantor e compositor, nasceu no dia 7 de setembro de 1943, no Largo Dois de Julho, um dos tradicionais bairros do centro de Salvador. Seus pais foram D. Maria José de Souza (D. Zezé) e Sr. Carlos Gentil Peres, antigo relojoeiro da capital baiana. Foi no Largo Dois de Julho que o menino Ederaldo Gentil passou parte da sua infância, brincando, estudando e trabalhando na modesta oficina do pai. Foi desta forma que aprendeu o ofício de relojoeiro o que ajudava nas rendas financeiras da família bastante numerosa.

Ainda adolescente mudou-se para o bairro do Tororó, também na área central da cidade, que era nessa época, o mais forte reduto do carnaval baiano. Ali podiam ser encontradas diversas agremiações carnavalescas, como o bloco Os Apaches do Tororó, a Escola de Samba Filhos do Tororó, entre outras. O menino Ederaldo começou bem cedo o gosto pelo carnaval, acompanhando o pai nos bailes à fantasia que eram realizados nos clubes tradicionais da cidade.

Por residir perto do QG do samba baiano, Ederaldo passou a freqüentar os ensaios da bateria da escola Filhos do Tororó. A sua facilidade em tocar instrumentos rítmicos logo despertaria a curiosidade e atenção dos mais velhos e compenetrados sambistas. Desses, em especial Arnaldo Silva (o Sêu Arnaldo), então presidente da Escola, foi quem lhe deu primeiro incentivo para o entrosamento no mundo do samba. Ainda adolescente, Ederaldo começa a elaborar as suas primeiras composições, participando ativamente da ala dos compositores da escola de samba Filhos do Tororó. Os seus sambas passam a ser cantados nos ensaios da escola.

A LUTA DO DIA A DIA

Do lado de cá, as dificuldades da vida obrigavam o jovem Ederaldo a procurar outras atividades profissionais para sobreviver. Por esse período, chegou a ter uma rápida passagem pelo mundo do futebol, onde atuou como meia-esquerda no Esporte Clube Guarany. Fazia uma dupla imbatível com o ex-jogador André Catimba, este que seria, mais tarde, um dos maiores nomes da história do Esporte Clube Vitória. Consta que Ederaldo Gentil chegou também a treinar no Vitória, porém a sua vocação maior não era o futebol, e sim, a música popular, e em especial, o samba. Contam os que o viram jogar que, comparado a muitos dos “craques” de hoje, o Ederaldo teria, com certeza, espaço em qualquer grande clube do Brasil ou do exterior, entretanto a música falaria mais alto em sua opção de vida.

Por esse tempo continuava ligado à música compondo suas canções. No ano de 1967 vence um concurso municipal para o carnaval de Salvador com a música "Rio de Lágrimas", defendida pela cantora Raquel Mendes. A partir daí, durante alguns anos, torna-se presença constante nesses concursos, sempre obtendo as primeiras colocações. Chegou a repetir a façanha de obter o primeiro lugar por três anos consecutivos.
Uma das composições vitoriosas dessa fase foi o samba "Esquece a Tristeza" que seria gravado mais tarde pelo cantor e compositor Tião Motorista, já falecido. Ainda em 1967, vence o concurso interno de samba-enredo da escola Filhos do Tororó com a música "Dois de Fevereiro", a qual aborda o tema da famosa festa de Yemanjá, que acontece anualmente no bairro do Rio Vermelho. Foi nesse ano que ele teve, pela primeira vez, a alegria de ter dois sambas seus na boca do povo.

No ano de 1969 houve um fato, inusitado até hoje, na história do carnaval baiano, quiçá do país. Indisposto com as dissenções internas da sua escola, Ederaldo resolve se afastar. Imediatamente seria assediado pelas escolas concorrentes que o convidam para compor seus sambas-enredos. O resultado foi que, no carnaval de 1970, todas as outras nove escolas de samba de Salvador saíram no desfile principal da cidade com sambas-enredos assinados pelo mesmo compositor, Ederaldo Gentil. A única que não trazia essa autoria era, simplesmente, a sua escola - Filhos do Tororó. Esse fato por si só já seria digno de registro no livro de recordes - O Guinness Book.

A ESTRÉIA NACIONAL

Como compositor urbano, fora do ambiente carnavalesco, Ederaldo Gentil aportou para valer na cena da MPB no ano de 1970 através das composições Berequetê e Alô Madrugada (esta última em parceria com Edil Pacheco). O criador desses sucessos foi o cantor paulista Jair Rodrigues, na época um dos nomes de maior cartaz como sambista. Foram gravadas no disco LP “Talento e Bossa – JAIR RODRIGUES”, Philips R765. 117, ano de 1970. Foi o batismo musical deste jovem e talentoso músico. Essa abertura facilitou-lhe a aproximação com outros cantores nacionais como Alcione, Eliana Pittman, Leny Andrade e Conjunto Nosso Samba que se interessaram por suas músicas. Estava dado o primeiro passo para ter, dessa forma, o devido reconhecimento nacional como compositor.

Em 1972, transferiu-se temporariamente para a cidade de São Paulo onde tenta gravar o seu próprio disco. Nesse tempo, recebeu o incentivo e a ajuda de pessoas como o ator Juca de Oliveira, o produtor e pesquisador musical Fernando Faro, Walter Silva - o “Pica-Pau” e o Magno Salermo. Esse tempo na capital paulista se dividia em apresentações em programas de rádio e também de TVs, como a TV Cultura e a TV Record (Mixturação).

Embora contasse com a boa vontade dos amigos paulistas, o disco demorava a sair, e, decepcionado, retorna no final de 1972 à sua Bahia. É o reencontro com a família, os amigos e também com seu ofício de relojoeiro. Reaproxima-se também da sua escola de samba, onde, após as pazes com os dirigentes, resolve participar do enredo daquele ano que comemorava o cinqüentenário da maior ialorixá da Bahia, Menininha do Gantois. O seu samba "In-Lê-In- Lá" é, para variar, novamente o vencedor desse ano. Seria também a sua despedida da atividade de compor sambas-enredos. Essa música seria gravada por ele próprio alguns anos depois no seu segundo disco LP.


Escrito por Miguezim às 22h41
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25/03/2012





AMOR TEMPERADO


Miguezim de Princesa


Uma baiana de acarajé
Era o que faltava
Para apimentar a vida.
Malagueta, de cheiro,
Umbigo de moça,
Seios de fartura.
As mãos, o sexo, o coração,
O tempero da baiana,
O vatapá e o caruru,
Volúpia e gula no amor
Miguezim de Princesa

Escrito por Miguezim às 20h54
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08/03/2012


OS SEIOS DA TERRA

(Em homenagem às mulheres do mundo)

Miguezim de Princesa

 

Meu peito é eterna bondade-semente

da mãe-natureza, prenhe de doces frutos,

o sangue corrente nas veias da gente

é o mesmo que corre nos bichos mais brutos.

 

Meu peito é um rio de águas bem claras

que o homem moderno inda não sujou,

seu leite é o leito onde as aves mais raras

molham as belas penas quando faz calor.

 

Meu peito sacia a fome de amor

de paz e justiça dos filhos da terra.

Bicho-homem, perdido em intensa agonia,

 

Meu peito é um bálsamo que cura tua dor.

Queria que os meninos da rua e da guerra

mamassem em meu peito a eterna alegria.

Escrito por Miguezim às 07h40
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21/02/2012


 Deu na coluna do Cláudio Humberto publicada em 35 jornais brasileiros

Para gostar de ler


“Para gostar de ler”, livro de cordel de Miguezim de Princesa, acaba de sair da gráfica, após conquistar o Prêmio Mais Cultura de Literatura Popular Patativa do Assaré, do Ministério da Cultura, concorrendo com milhares. O autor tem cordéis estudados no Trinitty College, nos EUA.

Comentários no Blog do Tião Lucena (www.blogdotiaolucena.com.br) e no Facebook:

  • Leitores de todo o país

    Paulo Henrique, Carlos Ivo, Carmela Talento e outras 21 pessoas curtiram isso. 3 compartilhamentos Cida Lobo Show, 10, arrasou Miguel Lucena Filho, voce merece isso e muito mais!!! há 12 horas · Curtir (desfazer) · 1 Miguel Lucena Filho Abração, Cida. Estou com saudades dos amigos da Paraíba e da Bahia... há 11 horas · Curtir Eliane Caetano Eita caba arretado esse Miguezim...arrasa mesmo!! Parabéns,vc é um orgulho pra nós Princesences !!!agora esperaremos pra ler o livro:* há 11 horas · Curtir (desfazer) · 1 Sandra Lôbo Parabens, quero ler tambem. há 10 horas · Curtir (desfazer) · 1 Veronica Vicente Parabéns ... há 10 horas · Curtir Cleber Monteiro Parabéns.... há 10 horas · Curtir (desfazer) · 1 Nilda Maria Cordeiro Lopes Parabéns! Quero muito ler o livro, adoro Cordel! há 10 horas · Curtir (desfazer) · 1 Nininha Lucena Parabéns! preciso ler. há 9 horas · Curtir Margarida Neide Parabénsssssssss! Quero ler! Abç, há 9 horas · Curtir (desfazer) · 1 Rena Bezerra Eita, que o cabra é bom !!! há 8 horas · Curtir Alfredo Rocha Nogueira Taí boa dica para um autodidata...obrigado doutor! há 8 horas · Curtir Kelma Li Como sempre um sucesso!!!Parabéns há 7 horas · Curtir Ana Luiza Andrade Parabéns vc merece. O cordel e uma delicia, ainda bem que temos vc como representante da literatura nordestina. Abraços há 6 horas · Curtir Miguel Lucena Filho Muito obrigado, amigos e amigas! há 6 horas · Curtir Renir Vital Adriano Barbosa Parabéns Miguel! Have I told you that I am proud of you? há 3 horas · Curtir (desfazer) · 1 Miguel Lucena Filho Yes, I do. Thank you! há 3 horas · Curtir Miguel Lucena Filho Esse meu ingrês.... há 3 horas · Curtir Carlos Ivo Parabéns!!! há 3 horas · Curtir

  • Comentário:

  • Nome: Chico Chagas

    Parabéns, poeta Miguezim de Princesa. Digno representante, defensor e divulgador da literatura de cordel, agora, para o mundo. O cordel continua vivo. Afetuoso abraço de Chico Chagas, Guarabira-PB.

  • Comentário:

  • Nome: livre para votar

    Concordo c/ o cão aí embaixo. Tião baba mto esse miguezim. Eu acho q ele é candidato a algum cargo e Tião já está fazendo campanha p/ ele. Já vou avisando: campanha sem dinheiro não rola...

    Não, ele é meu irmão caçula e um dos mais talentosos poetas populares da atualidade, além de ser jornalista de primeira linha, com experiência internacional,bacharel em Direito, especialista em Inteligência Estratégica e delegado de Polícia do Distrito Fed

     
  • Comentário:

  • Nome: CÃO HIDRÓFOBO

    Eitá! Miguezim de novo, ninguém aguenta! Para com isso Tião tu que vender esse peixe na marra... Imgainem o cara é o mais inteligente; é o melhor delegado do mundo; é o delegado que prende mais bandido nesse país. Para com isso velho, dá até azar.

  • Comentário:

  • Nome: armando

    parabéns miguezim,por levar princesa a onde ela nunca foi,ficamos felizes.

  • Comentário:

  • Nome: João

    Que merda, você só coloca porque é seu irmão

    Inveja matou Caim!

     
  • Comentário:

  • Nome: Francisco de Assis Rodrigues

    A POESIA NASCEU PARA VOAR NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO. Miguezin, de Princesa para o mundo! Parabéns conterrâneo velho de guerra; sua poesia ganha as alturas da liberdade e da expressão; um elogio à nossa imaturidade fundamental. Com abraços de Chiquim de Zezim Ourives.

Escrito por Miguezim às 22h31
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14/12/2011


 O sertão chora

 

 

 

MIGUEZIM DE PRINCESA

 


O poema foi musicado por Wilson Aragão, autor de Capim Guiné com Raul Seixas, e virou hino dos sem-terra:

 

A seca que abate a gente
tira a comida da mesa
o sertanejo (nordestino) humilhado,
não esconde sua tristeza:
finca a enxada no chão
e, naquele poeirão,
sobe um mundo de incerteza.

O sertanejo resiste,
forte como um pau-pereira
clamoroso é ao que se assiste
nesta nação brasileira,
onde uns têm tudo farto,
mulheres morrem de parto
nos braços de uma parteira.

Na seca a politicagem
dos coronéis faz parada
homens aqui são tratados
como se fossem boiada.
Triste sertão de "caboclo",
onde um voto vale pouco,
onde a vida vale nada.

Passa a seca vem a chuva
e nada de melhorar,
porque o governo nega
semente pra semear,
e o latifundiário,
pra aumentar o calvário
nega terra pra plantar.

Desrespeita-se a velhice
abandona-se a infância
as escolas desmoronam
por injúria ou traficância,
do saber poucos se apossam
e as criancinhas engrossam
o Exército da ignorância.

Terra que produz de tudo
- do feijão ao babaçu -
teu povo é escravizado
no açoite do couro cru;
come restos de ração,
bebe a lama do porão,
não tem roupa - anda nu.

Semblantes desfigurados,
corpos esqueléticos nus,
enquanto nutrem a esperança
num milagre de Jesus,
disputam pelas estradas
brutos já mortos, ossadas,
com bandos de urubus.

Asfora falou um dia
dos seios sem leite, murchos
das veias brancas, sem sangue,
que nem algodão - capuchos -,
enquanto reina a alarvia
da elite que um dia
terá de perder os luxos.
Sobre o autor

Miguezim de Princesa
Brasília/DF - Brasil, 45 anos
65 textos (9802 leituras)

Escrito por Miguezim às 13h25
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PARA GOSTAR DE LER

Miguezim de Princesa

Trabalho premiado no Projeto Mais Cultura de Literatura Popular, do Ministério da Cultura. O autor receberá R$ 7 mil e publicará 5 mil exemplares do poema.
I
Se o dinheiro está curto
Até pra comprar cueca
E nem de longe imagino
Visitar um sítio asteca,
Posso em sonhos viajar
Nos livros que encontrar
Dentro da biblioteca.

II
Pego um avião moderno
E saio rasgando o céu,
Entre cortinas de nuvens
Que mais se parecem um véu
Da noiva da esperança,
E vou me parar na França
Conhecendo a Torre Eiffel.

III
Num banquinho de madeira,
Sem tirar os pés da terra,
Nas letras do livro-sonho,
Que tanta grandeza encerra,
Com algumas páginas lidas
Vejo todas as batidas
Do Big Bang da Inglaterra.

IV
Num distante pé de serra
Alguém ouvirá meu grito
A saudar a Palestina,
Seus pastores com cabritos,
Em meio a tanta incerteza,
E mais à frente as belezas
Das pirâmides do Egito.

V
Viajo também nos braços
Do romanceiro de cá,
Das lendas e das estórias
Do povo do meu lugar,
Vou dormir com um poema
E me acordo com Iracema
De José de Alencar.

VI
Cante lá, que eu canto cá,
Dizia com firmeza e fé
O menestrel popular
Patativa do Assaré.
É estudado na França,
Seu livro é luta e esperança,
Mostra a vida como é.

VII
No Rio Grande do Norte,
Prosseguindo meu estudo,
Vou conhecendo a Iara
De belo corpo desnudo.
Pro sonho ficar mais quente,
Ela eu ganhei de presente
Do grande Câmara Cascudo.

VIII
Na vizinha Paraíba,
Vi João Grilo na subida;
Fui ao céu e ao inferno,
Que era um beco sem saída
Por Ariano criado
No enredo bem bolado
Auto da Compadecida.

IX
Nas páginas paraibanas,
Vi quanto Augusto sofreu
Ao escrever Versos Íntimos
No eterno Livro do EU;
Apurando o meu empenho,
De Zé Lins vi o Engenho
Cujo fogo já morreu.

X
Dancei frevo em Pernambuco
Em terreiro, praça e sala,
Maracatu, caboclinho,
Fiquei em ponto de bala,
Gilberto Freire, gentil,
Me apresentou o Brasil
Em Casa Grande e Senzala.

XI
Pelo século 19
Me enfurnei no sertão:
Conheci Maria Moura,
A valentia e a paixão
Que dobravam coronel.
Quem me contou foi Rachel
Na porteira do mourão.

XII
Com Aluizio Azevedo,
Numa Casa de Pensão,
Vi mulato de Cortiço
(Nossa miscigenação),
Andei com Gonçalves Dias,
Indianista da poesia,
Nas terras do Maranhão.

XIII
Fui parar nas Alagoas,
Terra de Graciliano,
Onde a cachorra baleia
Foi atrás de Fabiano,
Vidas Secas de lamentos,
Batalhas e sofrimentos,
Sem rumo, esperança e plano.

XIV
Vi o Sargento Getúlio
Tomado de valentia,
De posse de uma lazarina,
Caminhar de noite e dia,
Conduzindo sem clemência
Um preso na diligência
Entre Sergipe e Bahia.

XV
Quem contou foi João Ubaldo,
E o fez com maestria,
Bem depois de Jorge Amado,
Escritor-mor da Bahia,
Que soube falar de amores,
Crenças, culturas e dores
Com cheiros de maresia.

XVI
Vejo a Tenda dos Milagres,
Em noite de lua cheia;
Gabriela cheira a cravo
No fogo que incendeia;
Na Cidade Baixa a farra,
Molecagem e algazarra
Dos Capitães da Areia.

XVII
O Nordeste é muito rico
Em termos de criação:
Aqui servimos banquete
De puríssima inspiração.
Só porque nunca fui jeca,
Estou numa biblioteca
Com o mundo em minhas mãos.

Escrito por Miguezim às 09h48
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26/11/2011


AMORES PROIBIDOS

Miguezim de Princesa


Os amores proibidos rondam
os poetas como malassombros.
Invadem sonhos pela madrugadas,
com gestos os mais insinuantes.
Os amores proibidos incendeiam
versos livres ou metrificados.
Chegam de mansinho,
fingem não querer
e provocam desejos reprimidos.
Parecem fáceis, à mão,
possíveis, mas não são:
Uma imensa muralha aprisiona
o desejo que não passa de ser sonho.
Afinal, o que são os amores proibidos,
torturantes, infernais?
Os amores proibidos
são lagartas de fogo
na alma dos poetas.

Escrito por Miguezim às 16h19
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14/11/2011


VERSO-MENINO

MIGUEZIM DE PRINCESA

Meu verso passa ao largo das academias:
é rude, torto e desengonçado.
Imita passos - matuto apressado.
Tem pressa de passar da noite ao dia.

Engatinha, quer conhecer luzes e cores,
vozes e mais vozes, mundo estranho,
bebê contente na hora do banho
mergulhado em aromas bons de flores.

É ainda a marca da contradição:
brinca, fecha a cara, chora,
ri, ousa, briga, esmorece, anima.

É como a terra seca do sertão
e é fértil e mãe, quando a chuva não demora,
e faz brotar do chão botões de rima.

Escrito por Miguezim às 22h17
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11/11/2011


 

Águas da vida


Miguezim de Princesa
 


Eu quero me molhar na passarela,

Porque hoje é dia de calor.

Se eu canto o canto é pra vida bela,

As águas das lágrimas vêm sem amargor.

 
A minha tristeza é sem pesar,

Não digo a causa da minha alegria.

A festa é hoje e, se o amanhã chegar,

Digam que eu saí sem fantasia.
 
A água é parca em tanto mar,

Quem dera logo o Brasil chegasse.

Angola é distante, é só chorar:

Muchima dói sem mãe que o acalentasse.

Na dança da perpétua travessia
Morro de sede de beber justiça,

Água salobra da minha agonia,

Vinagre do meu cálice de injustiça.

 
Na escuridão do porão negreiro,

Somente a fé a me iluminar:

Cortejo Afro me banhando inteiro

Na festa em que senti me libertar.

 
Tanta água me banha a Bahia:

Kyanda Angola, mama Yemanjá,

Cortejo Afro, águas de poesia,

Bará Ajelu, Oxum e Oxalá.

 

Escrito por Miguezim às 09h11
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30/09/2011


AS LAVADEIRAS DA PIXILINGA

Miguezim de Princesa

As lavadeiras lindas, à vontade,
no mundo de bolhas de sabão,
entoam canções, contam lorotas
e falam dos maridos que se foram.[

As lavadeiras falam o tempo inteiro,
mas vêem muito pouco ao seu redor.
Só trabalham. E os peixes do Açude Velho
festejam em cambalhotas
sua presença.

Quem mais vê são os moleques,
escondidos por trás dos marmeleiros
e das tiriricas da Pixilinga:

Mulheres ávidas de prazer,
com as quais vivem sonhando,
dando cambalhotas como os peixes.

Escrito por Miguezim às 00h14
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21/09/2011



Os meus

Miguel Lucena

Sou jantar de mesa farta,
Três noites de forrozada,
Alegria de matuto,
Cantador de embolada,
Sou filho da nuvem cheia
Que concebe a invernada.
Meu companheiro é trovão
Famoso pai da coalhada;
Meu mar é açude velho
Em tempos de enxurrada.

Minha mulher é a lua
A passear pelo céu,
Sem batom, perfume ou ruge,
A roupa somente o véu
Daquela nuvem branquinha
Amiga do menestrel.
Quando o sol está dormindo,
Ela começa saindo
E, sempre a se insinuar,
Acorda os noivos poetas
Para a vida versejar.

O meu filho é o sorriso
Das crianças desprezadas
Quando encontram o paraíso
Nos braços de uma mãe amada.
A ele dou leite e pão
Farinha, cuscuz e pirão
Ribacão e carne assada,
Mesmo que não peça nada.
Imensamente feliz
Eu fico quando ele diz:
- Papai -, e dá uma risada.

A minha família é o povo
Que planta e milho e feijão,
Que acorda às 5 horas
Pro mode ganhar o pão,
Que parece uma sardinha
Espremido em condução,
Pedaço de mamulengo
Caindo da construção;
Que apanha do bandido,
Da polícia e do patrão.
Quem sabe em minha casa um dia
Num sarau de poesia
Vamos ter revolução.

(Luanda, Angola, 10/07/2006)


Escrito por Miguezim às 11h53
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08/09/2011


 

A Lista

Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
... Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Escrito por Miguezim às 23h23
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31/08/2011


Publicado por Tião Lucena em 31.08.2011

No tempo da minha infância

 

Ismael Gaião

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Bebi leite ao natural
Da minha vaca Quitéria
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria

A barriga da miséria
Tirei com tranquilidade
Do pão com manteiga e queijo
Hoje só resta a saudade
A vida ficou sem graça
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração

Com a modernização
Quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido
Fazendo tudo que eu fiz
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

Vi o meu pai dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag
Sem cinto de segurança
E eu no banco de trás
Solto, igualzinho aos demais
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança
Por ter sido reprovado
Ninguém ia ao psicólogo
Nem se ficava frustrado
Quando isso acontecia
A gente só repetia
Até que fosse aprovado

Não tinha superdotado
Nem a tal dislexia
E a hiperatividade
É coisa que não se via
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira
E essa água engarrafada
Que diz-se esterilizada
Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos
E descalço, na areia
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé
Gata Pintada, Esta Rua
Pai Francisco e De Marré
Também cantei Tororó
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia
Não tinha vídeo cassete
Muito menos internet
Como se tem hoje em dia

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço
Não existia ração
Nem brinquedo feito osso
E para as pulgas matar
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira
Ou numa água bem fria
Debaixo duma torneira
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

Comecei a trabalhar
Com oito anos de idade
Pois o meu pai me mostrava
Que pra ter dignidade
O trabalho era importante
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade

Mas hoje a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez...

Escrito por Miguezim às 20h16
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15/08/2011


Dom Bosco terá caminhada dia 28

Em homenagem ao Segundo Patrono de Brasília e à Virgem de Aparecida, todos os brasilienses e visitantes estão convidados, no dia 28 de agosto, para a caminhada de Dom Bosco, que sairá às 6h do Santuário Dom Bosco, na W3 Sul. A caminhada terá uma parada na Catedral de Brasília,onde se encontra uma imagem do santo, feita de mármore, que retrata a construção da capital. Logo após, seguirá pela Esplanada dos Ministérios até a Ermida do Bosco, no Lago Sul, onde haverá celebração Eucarística, às 11h30.
Confira a programação no site: www.congressosalesiano.com.br.

Escrito por Miguezim às 22h54
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