Miguezim de Princesa


01/05/2009


POESIA PARA ALEGRAR A VIDA

Versos de Pinto do Monteiro

Eu comparo esta vida
à curva da letra S:
tem uma ponta que sobe
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece

II

Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade (é lembrança)
saudade só é saudade
quando morre a esperança

III

Aonde eu chego, não vi
Mal que não desapareça
Raposa que não se esconda
Bravo que não me obedeça
Letrado que não me escute
Cantor que não endoideça

IV

Cantar com quem canta pouco
é viajar numa pista
com um carro faltando freios
o chofer faltando a vista
e um doido gritando dentro
atola o pé motorista

V

Minha corda não se estica
não se tora nem se enverga
da terra pro firmamento
meu pensamento se alberga
em um lugar tão distante
que lente nenhuma enxerga

VI

Eu vou fazer uma casa
na Serra da Carnaíba
a frente pra Pernambuco
as costas pra Paraíba
só pra não ver duas coisas:
Nem Sumé, nem João Furiba

VII

Há vários dias que ando,
Com o satanás na corcunda:
Pois, hoje, almocei na casa
Duma negra tão imunda,
Que a prensa de espremer queijo
Era as bochechas da bunda!

Escrito por mlucenafilho às 08h51
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26/04/2009


Regime de engorda no Paraguai 

 Miguezim de Princesa

 

 

 

I

No Lago Ipacaraí

Tem algo novo no ar:

Apesar de toda a crise,

Da fome em todo lugar,

Podem segurar a saia:

As mulheres paraguaias

Tão dando pra engordar.

 

II

Depois que Fernando Lugo,

Um bispo bem avançado,

Conquistou a Presidência

De um país atrasado,

Virou um deus-nos-acuda

Com tanta mulher buchuda

Por tudo quanto é estado.

 

III

Parece até que o bispo

Não tinha tempo pra rezar:

Vivia de fazer política

E também de namorar.

E, quanto mais discursava,

A batina levantava

Para a vida melhorar.

 

IV

Quando a mocinha chegava,

Contrita a se confessar,

O olho dele brilhava

Como bola de bilhar.

Dando conselho, dizia:

Vamos lá na sacristia

Crescer e multiplicar.

 

V

Meus filhos e minhas filhas,

Propagava no sermão,

Quem inventou camisinha

Tinha negócio com o Cão,

Come papel de bombom

E não sabe como é bom

O calor da fricção.

 

VI

Viu uma índia guarani

Lavando as coisas, nuazinha,

Cancelou quatro comícios,

Se perdeu na ladainha,

A batina arrebentou,

Disse é agora que eu vou

Furunfar sem camisinha.

 

VII

Numa noite em Assunção,

Se agarrou com Viviana;

Em Pedro Juan Caballero,

Depois de uma carraspana

Do carnal ficar virado,

Ficou três dias afogado

Na paixão de Damiana.

 

VIII

A Igreja não permite

Ao sacerdote casar,

Porque os bens da Igreja

Nenhum cristão pode herdar,

Mas com mulher sem sossego

Uma sessão de descarrego

Ninguém há de censurar.

 

IX

Dizem que ele faz milagre:

Quem quiser engravidar

É só cruzar a fronteira,

Uma confissão agendar.

Não é como Pernambuco,

Que tem um bispo caduco

Que só sabe excomungar.

 

X

De uma coisa tenham certeza:

Batina nunca foi saia,

Sêmen de padre faz gente,

Bispo também faz gandaia,

Tomara não apareça

Uma mula sem cabeça

Na bandeira paraguaia.

 

Escrito por mlucenafilho às 22h50
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