BAILE DA SAUDADE
Miguel Lucena - Miguezim de Princesa
(Lembrando de Zé Barros)
A caminhada não terá remanso:
duras as pedras no caminho da história.
Mas, se um dia eu merecer a glória,
que não mereço nem alcanço,
ainda assim não terei descanço:
Serei o último lutar da rua,
beberei a última saideira,
direi que amo a mesma companheira
que há tantos anos me encanta - nua.
Que no último brinde haja amigos,
dois violeiros para uma cantoria,
duas lágrimas dos olhos de uma Maria,
que não me deixa só - quer ir comigo.
E quando um dia, no baile da saudade,
a alegria brotar de quem chorava,
farei do riso a graça que faltava,
dançando balé com a liberdade!



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