Miguezim de Princesa


01/06/2009


BAILE DA SAUDADE

Miguel Lucena - Miguezim de Princesa

(Lembrando de Zé Barros)

A caminhada não terá remanso:

duras as pedras no caminho da história.

Mas, se um dia eu merecer a glória,

que não mereço nem alcanço,

ainda assim não terei descanço:

Serei o último lutar da rua,

beberei a última saideira,

direi que amo a mesma companheira

que há tantos anos me encanta - nua.

Que no último brinde haja amigos,

dois violeiros para uma cantoria,

duas lágrimas dos olhos de uma Maria,

que não me deixa só - quer ir comigo.

E quando um dia, no baile da saudade,

a alegria brotar de quem chorava,

farei do riso a graça que faltava,

dançando balé com a liberdade!

Escrito por mlucenafilho às 08h09
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31/05/2009


 

 A POESIA DE MIGUEL LUCENA

 

José Virgolino de Alencar



As poesias, no estilo do criativo verso popular, de Miguel Lucena, o Miguezim de Princesa têm sido publicadas e republicadas nos mais variados sites e portais, podendo-se afirmar que já é um grande sucesso.

O que pouca gente sabe é que Miguel Lucena também é um poeta na linha da erudição, como prova o seu livro “Verso Menino”, lançado em 1995, pela Editora BDA-Bahia Ltda., com prefácio de Vital Farias.

Os poemas de Miguel, sonetos e outros gêneros, mostram aquela poesia sentimental que sai da alma, em bem construídas estrofes, com a verdadeira qualidade da arte poética.

Vejam o soneto que abre e dá título ao livro:

VERSO MENINO

Meu verso passa ao largo das academias.
É rude, torto, desengonçado.
Imita passos – matuto apressado.
Tem pressa de passar da noite ao dia.

Engatinha, quer conhecer luzes e cores,
Vozes e mais vozes, mundo estranho,
Bebê contente na hora do banho
Mergulhado em aromas bons de flores.

É ainda a marca da contradição:
Brinca, fecha a cara, chora,
Ri, ousa, briga, esmorece, anima.

É como a terra seca do sertão
E é fértil e mãe, quando a chuva não demora,
E faz brotar do chão botões de rima.

Modéstia do poeta. Seus versos entram nas academias, nada tem de rude, é reto e bem perfilado. Estará nos anais da cultura.

Transcrevo mais um:

O CORTEJO

Vê-se à frente um caixãozinho azul.
Segue célere o fúnebre cortejo
Pelas ruas do acanhado vilarejo.
Leva uma criança a quem faltou angu.

Atrás, uma multidão de olhos azulados,
Pele amarela e destino incerto
Realiza agônico concerto
De rezas, risos, choros e dobrados.

É fim de tarde, o sol vai se escondendo,
Surgem dezenas de anjos da bondade...
O sino dobra e repica na igrejinha

Anunciando mais um que está morrendo
Sob as vistas da soberba humanidade.
Enquanto isso, a multidão caminha...

Taí. Popular ou erudita, da lavra de Miguel Lucena não se faz diferença, é só genialidade. No livro, são dezenas de poesias, todas boas de se ler, de se deleitar, de se curtir.

Escrito por mlucenafilho às 22h12
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COCO DE PRAIA

Coco dançado pelo velho Migué Fotogra:

 

EU TENHO RAIVA DA MORTE,

QUE A MORTE MATOU MEU PAI.

A GENTE MATA E VAI PRESO,

A MORTE MATA E NÃO VAI.

Escrito por mlucenafilho às 21h54
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