Miguezim de Princesa


15/12/2009


Efeito bufa – a culpa é do arroto

Miguezim de Princesa

 

I

As nações endinheiradas

E governadas por rotos,

Querendo passar pitu

No Protocolo Kyoto,

Dizem que o efeito estufa

É resultado de bufa,

De peido azedo e arroto.

II

Não querem diminuir

A poluição do ar;

A ganância do dinheiro

Pode o mundo detonar,

Mas, para salvar o mundo,

Diz o rico: “Feche o fundo,

Segure o metano lá”.

III

As chaminés do progresso,

Que levam a fumaça além,

Quebrando blocos de gelo,

Argumentam com desdém:

Não significam nada

Numa tese comparada

Com o valor que o peido tem.

IV

Cientistas contratados

A peso de muito ouro

Criaram ração sintética

Para evitar o estouro,

Que ameaça a criação,

Saído da digestão

Do intestino do touro.

V

Dizem que palma e capim

Se juntam na combustão

E, depois que o gado come,

Começa a soltar balão,

Como se fosse uma guerra

Que envolve o centro da terra

Numa imensa explosão.

VI

Querem também proibir

O consumo de feijão,

Cebola e peba dormido,

Mocotó, fava e pirão,

E assim salvar o mundo

Desses gases furibundos,

Vilões da poluição.

VII

Tese pronta e divulgada

Como o som de mil matracas:

Vão fazer milhões de rolhas

Para o fiofó das vacas,

Mosquito morre ligeiro

E será crime o cachaceiro

Bufar durante a ressaca.

VIII

Dilma foi a Copenhague

Defender nossa nação:

Disse que os países ricos

Fazem a poluição,

Promovem o efeito estufa

E botam a culpa na bufa,

Incriminando o feijão.

IX

- Quem não peida já morreu -

Disse Jorge do Feitiço,

Depois de tomar uma cana

Com torresmo e com chouriço,

Foi a Lula reclamar,

Pois quem não pode bufar

Vai morrer de intiriço.

X

Acabem o desmatamento,

Protejam nossas nascentes,

Vamos fazer do planeta

Um lugar limpo e decente

E o tal Primeiro Mundo

Não venha chafurdar o fundo

Da pobre da nossa gente.

 

Escrito por Miguezim às 09h52
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

03/12/2009


A ORAÇÃO DA PROPINA

                          Cuíca da Asa Sul

I
Valei-me Nossa Senhora
Do Reino da Pedra Fina,
Tanta meia recheada
Com o níquel da fedentina!
No pisotear da grana,
Reza em coro a ratazana
A Oração da Propina.

II
São Leonardo Imprudente,
Orai até não ter jeito,
Entupa a roupa de notas,
Os pés esquerdo e direito,
E, se não couber na meia,
Peça a Santa Eurides Feia
Pra socar no meio dos peitos.

III
São Benedito Domingos,
Vá chamar Santo Odilon,
Que São Brunelli já foi
Se fartar do que é bom,
Diga a Santa Eurides Brito
Que movimente o cambito
E me empreste o califon.

IV
Me proteja, São Durval,
De tudo quanto é torpeza,
Filme o pântano distrital
(Peixe grande e miudeza),
Tore o podre na raiz:
Desde os tempos de Roriz
Que é grande a safadeza.

V
Santo Benício Tavares,
Que não pode nem andar
Mas tem duas mãos muito ágeis
Para o dinheiro pegar,
Num barco agarrou sem dó
Uma índia caiapó,
Deus me livre de ir lá!

VI
Orai, santos distritais,
rogai pelos penitentes:
São Roriz e São Arruda,
São PO e São Valente,
Tenham piedade do povo.
Viva São Pedro do Ovo,
Que bota o ovo na gente!

VII
Que o Santo Rogério Ulisses,
Lá de São Sebastião,
Fale com São Maciel
Pra me emprestar R$ 1 milhão
Que veio de Santa Cristina,
Uma santa muita fina,
Protetora de ladrão.

VIII
E se eu fosse São Arruda
Não largaria a questão:
Não foi ele quem inventou
Esse tal de mensalão.
Faz tempo que as empresas
Vivem nessa safadeza,
Mantendo a corrupção.

IX
Mensalão já teve em Minas
E no plano federal,
No Rio Grande do Sul
E até no Pantanal.
Mais rasteiro que o chão,
Só faltava o mensalão
Do Governo Distrital.

X
Santo Omézio, São Lamoglia
E Santo Roberto Giffoni,
Que os anjos toquem trombetas
Em mais de mil microfones
E mandem neste Natal
Pra cada lar distrital
Uma festa de panetones!

       



Escrito por Miguezim às 00h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/11/2009


PÉS E MÃOS NA COZINHA


Miguezim de Princesa
 
I
Disse um dia Feagacê
Que tinha um pé na cozinha,
Mas enfiou foram os dois
Pra dentro da camarinha:
Sua libido fixou-se,
Com olhos de bico-doce,
Numa fruta madurinha.
II
Já passado dos sessenta,
Temendo sair de cena,
Tomou uns dois comprimidos
Quando avistou a morena,
Esparramou-se na cama:
Foi quando a primeira-dama
Chamou-se Maria Helena.
III
Na ânsia a resfolegar
Naquele momento exato,
Esqueceu a camisinha
Pra se proteger no ato,
Fez finca pra mais de dois
E nove meses depois
Nasceu o filho mulato.
IV
Um senador gordo e chato
Tratou de esconder a cria:
Fez as vezes de estafeta
E lá em Santa Maria,
Às custas de cuia de milho,
Sumiu com a mãe e o filho
No fim da periferia.
V
Numa casinha pequena,
Onde mal cabia uma cama,
Aconchambraram o chamego
Para não manchar a fama
Do sociólogo porreta
Que chama a negra de preta
Pensando que é sua mucama.
VI
E mesmo tendo amado
O chefe dos generais,
A negra com nome grego
Não vai esquecer jamais
(Essas coisas não se esquece)
Que até hoje padece
Pelos serviços gerais.
VII
Mas isso é reincidência
De quem acha que só ganha:
Namorou uma jornalista,
Numa atitude tacanha,
Outro filho que gerou
No mesmo instante exilou
Em terras lá da Espanha.
VIII
A imprensa brasileira,
Que se diz muito arretada,
Livre, forte, independente
E sem rabo preso a nada,
À exceção de Cláudio Humberto,
Nunca passou nem por perto:
Foi muda e saiu calada.
IX
Feagacê não perdoa:
Não pode ver uma gueixa.
A cor é só um detalhe.
O que passar ele “queixa”
(empregada e jornalista),
Só não papa  repentista
Porque a gente não deixa.
X
Digo aos vizinhos paraguaios,
Que estavam cheios de razão,
Orgulhosos porque Lugo
Virou um bicho-papão
Devorador de donzelas,
A pátria verde e amarela
Também tem um garanhão
.
 
 
 
 
 
 

Escrito por Miguezim às 00h22
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

18/11/2009


A TAVERNA DO APAGÃO

Miguezim de Princesa

 

I

Na taverna brasileira,

O chefe-mor do pifão

Tomou a décima lapada

Misturada com limão,

Sentiu o mundo rodando,

Os olhos lacrimejando

E aí veio o apagão.

II

Mergulhou na escuridão,

Caído ao pé de uma escada:

Uma cuia com farofa,

Lingüiça e carne torrada,

Uma 51 secou,

No outro dia acordou

Sem se lembrar de mais nada.

III

Isso foi curto-circuito

Ou um fulminante raio?

A culpa foi da costela

E do malpassado paio,

Que era meio falsificado

E foi trazido importado

Do governo paraguaio.

IV

E durante o coma etílico,

Que alguns chamam “água dura”,

Sobreveio um pesadelo

De matar a criatura:

Monstros feios de doer

Assumiriam o poder

De mandar na rua escura.

V

Amigos de muito tempo,

Da cachaça e do gamão,

Isolavam o chefe-mor,

Que perdia a proteção

E terminava lascado,

Completamente enredado

Em um tal de mensalão.

VI

Acabavam as mordomias

(Não se tinha nem mais cuscuz),

Veio um satanás de rabo,

Dependurado numa cruz,

Com alicate afiado,

Cortou fio desencapado

E a rua ficou sem luz.

VII

Na rua ninguém se entendia,

Era uma grande confusão,

Direita virava esquerda

E naquela escuridão,

Onde ninguém enxergava,

O esperto aproveitava

Para enfiar mais a mão.

VIII

Viva a privatização

De toda a rede elétrica!

- gritava um líder de turma,

Da forma mais apoplética,

Com os 10 por cento da feira

E acampado na beira

De uma usina hidrelétrica.

IX

O delegado famoso

Aparecia no terreiro,

Com a foice e o martelo

E a mídia do estrangeiro,

Fazendo investigação

Pra saber do apagão

Segurando um candeeiro.

X

A miss paz e amor

Começou uma confusão:

- Meus filhos, que diacho é isso,

Tiraram a luz do salão! -.

E aí ficou rodando,

Sacudindo e pinotando,

Com um cacete na mão.

XI

Aproveitando o escuro,

A súcia se empanturrou:

Secou todas as garrafas

E nenhuma dose restou;

O chefe, todo suado,

Tremendo, desesperado,

Deu um grito e se acordou.

XII

E quando alguém lhe pergunta

Sobre toda a trapalhada,

Orgias e coisas que as trevas

Espalharam na Esplanada,

O chefe-mor simplesmente

Olha e responde pra gente:

- Eu não me lembro de nada.

 

Escrito por Miguezim às 18h24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

10/11/2009


UMA BURCA PARA GEISY

                        Miguezim de Princesa

I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"

III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

IV
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"

VI
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

VII
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

VIII
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

IX
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

X
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto

Escrito por Miguezim às 23h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

26/10/2009


 
OS ESQUECIDOS POETAS PARAIBANOS
Pedro Marinho

A Paraíba sempre foi muito injusta com os seus talentos de um modo geral, seja na musica, na dança, na literatura, no esporte ou em quaisquer das atividades humanas. O exemplo clássico desse desprezo e abandono ocorreu com o grande Augusto dos Anjos, que nos deixou e foi para Minas Gerais, jurando jamais retornar aqui, como de fato aconteceu. Se o paraibano quiser vencer na vida, terá que obrigatoriamente que migrar para outros Estados da Federação, ou o mais terrível, MORRER e ai sim, o floreio e a festa serão grandes. Neste espaço hoje vamos falar dos poetas, (artistas), pois sobre eles, Ezra Pound já o disse: “São as antenas da raça”. Vamos falar dessa poesia matuta e de rara beleza, feita por alguns privilegiados que gozam dessa veia poética cabocla, cujos versos encantam a todos, já que têm cheiro da terra e do suor do homem do campo.

OS ESQUECIDOS POETAS PARAIBANOS II

Vamos citar apenas três deles: Primeiramente Jessier Quirino, o mais conhecido, pelas suas apresentações publicas, misturadas com muita musica e piadas, um verdadeiro craque da rima, motivo de orgulho para todos nós. Além de Jessier, temos ainda os não menos talentosos, Miguezim de Princesa, irmão do nosso amigo Tião Lucena e Vavá da Luz, da nossa velha e querida Ingá de Bacamarte. Miguezim de Princesa, com as suas poesias, hoje nacionalmente conhecidas, trabalha como delegado de polícia na Capital Federal, já Vavá, nunca deixou a sua querida terra natal e sonha com a publicação de suas poesias. Se nossas autoridades desejam fazer algo por esses poetas, que façam em vida, que façam agora, pois os três merecem e merecem muito. De nossa parte, passaremos - como já faz Tião no seu espaço - a publicar no nosso blog, as poesias dos três. Oportunamente falaremos dos nossos também esquecidos músicos.

 Pedro M. Marinho Advogado, membro da API - Associação Paraibana de Imprensa, número da carteira 206, de agosto de 1970. É autor do livro biográfico: Joaquim Pereira, Maestro da Orquestra Sinfonica da Paraíba". Recebeu as Comendas "Jorge Teixeira de Oliveira",... Saiba mais
 

Escrito por Miguezim às 11h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

GRANDE SEBASTO, VALEU O BOI

 

Vereador Sebasto, de Princesa

 

Eu tinha 10 anos quando Sebasto pegou uns trocados com o velho Migué Fotogra e comprou um boi.

Homem trabalhador, Sebasto, meu cunhado, casado com Nininha, transformou um boi numa boiada.

Criou os filhos com dedicação. Perdeu Robertinho ainda criancinha, com 8 anos, de leucemia, mas não esmoreceu e soube dar régua e compasso a Dal e Júnior. Já passado dos 40, veio Raquel Emília, uma homenagem a Dona Emília, a sogra que tanto admirava. A garota encheu de brilho e esperança a vida da família.

Filho de gente humilde, Sebasto venceu em todos os quesitos. Fez de um boi uma boiada, construiu uma família unida, ingressou e permaneceu no mundo da Política, no qual só os bem nascidos sobrevivem.

Agora, de repente, já à boca da noite, recebo a notícia da trágica morte de Sebasto, em acidente automobilístico na estrada que liga São José a Princesa, no sertão da Paraíba.

Fico aqui com imensa dor e saudade, sem poder me despedir do velho amigo e companheiro, pois nem voo encontrei mais.

Despeço-me com palavras, para alcançar o espírito dele em  pleno voo para o infinito, pois ele sabe que sempre estaremos juntos na alma.

Que fique como última lembrança aquela caminhada de 33 anos atrás, três pessoas - eu, Sebasto e Carlinhos - para tanger  no caminho do Cedro um boizinho que se transformou numa boiada.

Valeu o boi, amigo!

Escrito por mlucenafilho às 11h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

22/10/2009


CALÇOLA RENDA MINHA

 

Miguezim de Princesa

 

I

Na minha terra antigamente

Calcinha não havia, não.

Mulher que usava calcinha

Vivia na depravação.

Mas, com o passar do tempo,

Aprovaram o calçolão.

 

II

As mulheres se vestiam

Com imenso calçolão,

Feito de saco de milho

Ou de pano de algodão,

Amarrado na cintura

Com uma carreira de botão.

 

III

Por cima do calçolão,

Uma anágua duma cor só,

Um vestidão bom de chita

Que cobria o mocotó

E um cabelão comprido,

Amarrado num cocó.

 

IV

Na hora do vamos ver,

Era o maior fogoió:

Apagava o candeeiro,

Que se chamava fifó,

E o negócio era feito

No buraco do lençol.

 

V

Mas aí mudou a moda

(Costumes da capital),

Minissaia mostrou as coxas,

Provocou um vendaval;

Surgiu o cordão cheiroso,

Que se chama fio-dental.

 

VI

De tudo eu já vi no mundo:

Padre pegar criancinha,

Político cumprir promessa,

Lula rejeitar branquinha,

Mas ainda não tinha visto

Um senador de calcinha.

 

VII

Suplicy pegou um livro

Com o texto do Renda Minha,

Quando a Sabrina Sato

Apareceu com a calcinha,

Toda enfeitada de renda

E numa parte furadinha.

 

VIII

Ele não contou conversa,

Vestiu e saiu andando

E a Sabrina por trás,

Iludindo e incentivando,

Que doido com incentivo

Quando embeiça, cai matando.

 

IX

Suplicy pirou de vez,

Se sentindo escanteado,

Resolveu aparecer,

Não foi bom o resultado,

Melhor seria desfilar

Com um jerimum pendurado.

 

X

E para 2010

Eu sugiro esta parada:

Nem Dilma, nem José Serra

(Com sua cabeça raspada);

A campanha é Renda Minha:

O Suplicy de calcinha

E a Sabrina pelada!

 

 

 

Escrito por mlucenafilho às 23h21
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

21/10/2009


CORDEL DA DILMA É UM SUCESSO

Coluna  do

Augusto Nunes

Revista VEJA

 

 

SEÇÃO » Direto ao Ponto

 

O cordel da Dilma é um sucesso

20 de outubro de 2009

COMPARTILHE

COMENTÁRIOS (38)

Leitores da coluna sugeriram a publicação, na íntegra, do cordel Um PAC com a Dilma, criado por Miguelzim de Princesa, um craque do Cariri. Ótima ideia. Confiram os versos: 

I
Quando vi Dilma Rousseff sair na televisão,
com o rosto renovado após uma operação,
senti que o poder transforma: avestruz vira pavão.
II
De repente ela virou
namorada do Brasil:
os políticos, quando a veem,
começam a soltar psiu
pensando em 2010
e em bilhões que ela pariu.
III
A mulher que era emburrada
anda agora sorridente,
acenando para o povo,
alegre, mostrando o dente.
E os baba-ovos gritando:
“É Dilma pra presidente!”
IV
Mas eu sei que o olho grande
está mesmo é nos bilhões
que Lula botou no PAC,
pensando nas eleições,
e mandou Dilma gastar
sobretudo nos grotões.
V
Senadores garanhões
sedutores de donzelas
e deputados gulosos
caçadores de gazelas
enjoaram das modelos:
só querem casar com ela.
VI
Também quero uma lasquinha,
um pedaço de poder,
quero olhar nos olhos dela
e, ternamente, dizer
que mais bonita que ela
mulher nenhuma há de ser.
VII
Eu já vi um deputado
dizendo no Cariri
que Dilma é linda e charmosa,
igual não existe aqui,
e é capaz de ser mais bela
que a Angelina Jolie.
VIII-
Diz que pisa devagar,
que tem jeito angelical
nunca gritou com ninguém
nem fez assédio moral,
nem correu atrás de gente
com um pedaço de pau…
IX
Dilma superpoderosa:
8 bilhões pra gastar
do jeito que ela quiser,
da forma que ela mandar!
(Sem contar com o milhão
do cofre do Adhemar).
X
Estou com ela e não abro:
viro abridor de cancela,
topo matar jararaca,
apago fogo em goela
para no ano vindouro…
fazer…um PAC com ela.

Tags: Cariri, cordel, Dilma Rousseff, Miguelzim da Princesa, PAC

Escrito por mlucenafilho às 18h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

14/10/2009


 

Como aprendi a admirar e amar o cidadão Luís Hugo Guimarães:
                                                        por: vital farias
.
       


Dentre todoss os Titulos , que lhe fizeram jus, acadêmicos ou não, o que mais me impressionou e que tomei conhecimento ha muitos anos, amigo e muito mais fâ admirador que sou e depois essa supresa de "mal agouro, ,fiquei muito constrangido, sabendo agora nesse momento logo que cheguei do sertão.  Me pus a pensar: A maior comenda verdadeiramente grande que é e foi e será maior de todas na minha paixão por aqueles que mesmo em momentos nefastos como por exemplo, (ditadura de 1964 Quando preso foi, pelas forças armadas no 15 RI ),não titubeatram perante aqueles que pensavam ser dono definitivo da nação brasileira..Pois bem, o Dr Hugo Guimarães, não se fez de Rogado: foi grandioso nos momentos mais vexatorios; Não se humilhou nem tampouco o medo pelo fato de lhe traterem como Comunista, e nem se deixou abater, até que foi levado preso  para Fernando de Norornha num avião Militar(
DESSES QUE ABREM A  BARRIGA DO AVIAO PARA SALTO DE PARAQUEDISTAS) ,junto  a  Miguel ARRAES, Dr Bento da Gama Batista,Langistaine de Almeida, entre outros que agora não me recordo..O seu depoimento foi tão grandioso que os seus inqueridores ficaram perplexos com o seu valor  sua  coragem e destemor que este cidadão que acaba de nos deixar partindo para outras esferas do infinito azulado! nos deixa de LEGADO para outras gerações.!
Afora isso, no meu entender, a simplicidade o despreendimento a maneira simples de ver a vida a a sua postura, como homem transformador, um verdadeiro revolucionário, sempre me comoveram e me deixaram pasmado.! Não fico impressionado nem acho que, quem constroi a vida da forma que ele ,o Hugo Guimarães,construiu, para pessoas assim: A morte  não tem poder nenhum!!
Citaria apenas, um"dizer" doutra"Pessoa "Também grandiosa, O mestre SIVUCA, que  me ensinou dizer assim:  o Mestre HUGO GUIMARÃES,não morreu, apenas,se ENCANTOU!!!
 tenho dito!

VÃO- SE EMBORA A CARNE OS OSSOS,
MAS, A ESSÊNCIA CONTINUA:

A morte na despedida
È como"Ferida Braba"
È a dor que não se acaba
Foi num foi,ela liquida.
Doi durante toda a vida
Na minha vida e na tua
Doi em casa,doi na rua
Fica a Lembrança, e os destroços,

VÃO- SE EMBORA A CARNE, OS OSSOS,
MAS, A ESSÊNCIA CONTINUA:


(vital farias)

Resposta de Miguezim de Princesa:

Morre a carne apodrecida,
porém a alma se encanta,
se invulta e se levanta
em recordação sentida.
Fica o exemplo de vida,
cristalino como a lua.
Fica a dor, doída e crua
pairando sobre os destroços:
VÃO-SE EMBORA A CARNE, OS OSSOS,
MAS A ESSÊNCIA CONTINUA.
 
(Miguezim de Princesa)


 



Escrito por mlucenafilho às 14h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

03/10/2009


cangagay

Adamado devidamente paramentado para o desfile de figos de Serra Telhada

 * * *

FRANGA SOLTA NA TERRA DE LAMPIÃO

Miguezim de Princesa

I
Quem tem o seu pode dar
A quem quiser ou entender.
Quem não quiser dar de graça,
Pode dar preço e vender.
Todos são livres pra amar
Do jeito que escolher.

II
Há, porém, nos dias modernos
Uma grande exibição:
Nas praças, nos shopping-centers,
Só se vê esfregação,
Um motel a céu aberto
De gente passando a mão.

III
Garotos de 12 anos
Se beijando no salão;
Coroas com bucho de chopp
Procurando azaração;
Mulheres se alisando
Numa bolha de sabão.

IV
É neste novo cenário
Onde reina a confusão,
Que o movimento gay
Aproveita a ocasião
Para ir soltar a franga
Na terra de Lampião.

V
É lá em Serra Talhada,
No coração do Sertão,
Cafundó de Pernambuco,
A terra de Lampião,
E de Inocêncio Oliveira,
Um deputado machão.

VI
Soube que André Pucinelli,
Do Mato Grosso do Sul,
Vai estar na passeata
Com uma regata azul,
Promete com Carlos Minc
Fazer grande sururu.

VII
Luiz Mott da Bahia
Já comprou um pistolão,
Uma botina de couro,
Dois punhais e um facão,
Para puxar o desfile
Vestido de Lampião.

VIII
A muié de Jaquevague
Se encheu de laços de fita,
Combinou com uma amiga,
Por sinal muito bonita,
Pra se vestir de Dadá,
Ela de Maria Bonita.

IX
Vamos ter muitos artistas
E até político arisco.
Uma fonte me contou,
Assumindo todo o risco,
Que Caetano, Gal e Gil
Vão desfilar de Corisco.

X
O dia 3 de outubro
Vai ficar assinalado,
Nos anais da nossa história,
Como o dia indigitado
Em que a terra sertaneja
Virou terra de viado.

Escrito por mlucenafilho às 22h06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

AGRURAS DA LATA D'ÁGUA

Jessier Quirino

E eu que fui enjeitada
Só porque era furada.
Me botaram um pau na boca,
Sabão grudaram no furo,
Me obrigaram a levar água
Muitas vezes pendurada,
Muitas vezes num jumento.

Era aquele sofrimento,
As juntas enferrujadas.
Fiquei com o fundo comido.
Quando pensei que tivesse
Minha batalha cumprido,
Um remendo me fizeram:
Tome madeira no fundo
E tome água e leva água,
E tome água e leva água.

Daí nasceu minha mágoa:
O pau da boca caía,
Os beiços não resistiam.
Me fizeram um troca-troca:
Lá vem o fundo pra boca,
Lá vai o pau para o fundo.
Que trocado mais sem graça
Na frente de todo mundo.
E tome água e leva água
E tome água e leva água.

Já quase toda enfadada,
Provei lavagem de porco,
Ai mexeram de novo:
Botaram o pau na beirada.
E assim desconchavada,
Medi areia e cimento,
Carreguei muito concreto
Molhado duro e friento,
Sofri de peitos abertos,
Levei baque dei peitada.

Me amassaram as beiradas,
Cortaram minhas entranhas.
Lá fui eu assar castanha,
Fui por fim escancarada.
Servi de cocho de porco
Servi também de latada.

Se a coisa não complica,
Talvez eu seja uma bica
Pela próxima invernada.
E inverno é chuva, é água,
E eu encherei outras latas
Cumprindo minha jornada.

 

Escrito por mlucenafilho às 22h02
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

MATUTO DOENTE DAS PARTES


No tronco do ser humano,
Nos “finar” mais derradeiro
Tem uma rosquinha enfezada
Que quando tá inflamada
Incomoda o corpo inteiro
Se tossir, se faz presente
E se chorar se faz também

O “cabra” não pode nada
Com nada se entretém
Eu lhe digo, meu “cumpade”
Não desejo essa “mardade”
pra rosca de seu ninguém

Não sei o nome da cuja
Desta cuja eu tiro o ja
O que resta é quase nada
Bote o nada na parada
Quero ver tu agüentar

Eu lhe digo meu “cumpade”
Que é grande humilhação
Um cabra do meu quilate,
Adoecido das parte,
Fazer uma operação

Não suportando mais dor,
O meu ato derradeiro
Foi procurar um doutor
Do bocado arengueiro

Do bocado arengueiro,
Feijoeiro, fiofó, bufante,
Frescó, lorto, apito,
Brote e bozó.
De furico, fedegoso,
Piscante, pelado, boga,
Fosquete, frinfra, sedém
Zueiro, ficha, vintém,
De ás de copa e de foba.
De oiti, “oi” de porco,
“ané” de couro e cagueiro,
De girassol, goiaba,
Roseta, rosa,
Rabada, boto, zero,
“miaieiro”, de nó dos fundo,
Buzeco, de sonoro e pregueado,
Rabichol, furo, argola,
“ané” de ouro e de sola,
Boca de “veia” e zangado

 

Um doutor de aro treze,
De peidante e zé de boga,
Que não aperte o danado
Nem deixe com muita folga, “né”?
Um doutor “picialista” em bocada tarraqueta,
Doutor de quinca, dentrol,
Zé besquete, carrapeta
Doutor de rosca,
Rosquinha, tareco,
Frasco e obrón
Ceguinho, botico, zero,
Tripa gaiteira, fonfom,
“miaieiro”, mucumbuco,
Boraco, proa, polgueiro,
Forever, cloaca, urna,
Gritador, frango e fueiro

Cano de escape, pretinho,
Rodinha, x.p.t.o.,
Zerinho, “subiador”,
Tripa oca e fiofó
Um doutor de elitório ou de boca de caçapa
Que não seja inimigo,
Também não seja meu chapa
Tratador de canto escuro,
De boréu e de cheiroso,
De formiróide alvado,
De parreco e de manhoso,
De xambica e sibasol,
Apolônio e fobilário,
Bilé, brioco e “roxim”
Fresado, anilha e cagário
Vaso preto, zé careta,
Olho cego e espoleta,
Fuzil, fioto e foário

Não é doutor de ovário,
É doutor de orió!
De cá pra nós e bostoque,
De futrico e de ilhó,
De coliseu e caneco,
Roscofe, forno e botão
De disco, de farinheiro,
De jolie, fundo e fundão,
De cuovades, fichinha,
Que não vinha com gracinha
E que não tenha o dedão.
Um doutor de zé de quinca,
Canal dois e cagador
Buzina, vesúvio, cego,
Federais, sim senhor
“fagüieiro”, zé zoada,
Rosquete e fim de regada
Eu só queria um doutor!

O doutor se preparou-se,
Parecia galileu
Aprumou um telescópio
Quem viu estrela fui eu
Ele disse:
“arriba as pernas”
Eu disse:
“tenha calma, sonho meu”
A partir daquela hora,
Perante nossa senhora,
Não sei o que “assucedeu”

Com as forças da humildade,
Já me sinto mais “mior”
Me desejo um ânus novo,
Cheio de “velso” e forró
E pros “cumpade”, com franqueza,
Desejo grande riqueza:
Saúde no fiofó.

Escrito por mlucenafilho às 22h00
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

30/09/2009


O JUIZ E O LADRÃO

Bráulio Tavares


Toda vez que um soldado de polícia
Leva preso um filhinho-de-papai
Meia hora depois ele já sai
Com propina na hora mais propicia
Toda vez que um jornal dá a notícia
Dos trambiques de algum parlamentar,
Noutro dia precisa apresentar
Desmentidos de toda a redação...
Toda vez que um juiz prende um ladrão,
Chega outro juiz, manda soltar!

Quando algum promotor ter a coragem
De enfiar sua mão nesse vespeiro
Chega um fax e manda bem ligeiro
Que ela mexa com outro personagem
Se o Congresso descobre sacanagem
E promete depressa investigar
Muita gente começa a encomendar
Uma pizza gigante pro salão...
Toda vez que um juiz prende um ladrão,
Chega outro juiz, manda soltar!

Mesmo quando um ladrão endinheirado
Por acaso pernoita na cadeia
Ele tem boa cama e boa ceia
Numa cela com ar refrigerado.
Sendo o caso de ser um magistrado,
Tem direito a tv e frigobar
Tem cozinha francesa no jantar
E cobertas de seda no colchão...
Toda vez que um juiz prende um ladrão,
Chega outro juiz, manda soltar!

Outro caso na historia brasileira
É o juiz conhecido por Lalau
Que roubou cem milhões dum tribunal
E escondeu do outro lado da fronteira
O juiz vai em cana terça-feira
E na sexta já mandam libertar
Não tem homem que faça ele passar
Sete dias seguidos na prisão...
Toda vez que um juiz prende um ladrão,
Chega outro juiz, manda soltar!

No Brasil tem industria madeireira
Derrubando floresta em todo Estado
E às vezes vem um advogado
Traz a lei, e interrompe essa sujeira
Mais aí um ricaço abre a carteira
Compra a peso de outro a liminar
E na mata se volta a escutar
Motosserra, machado e caminhão...
Toda vez que um juiz prende um ladrão,
Chega outro juiz, manda soltar!


TAVARES, Braulio. Os martelos de Trupizupe. Natal: Engenho de Arte, 2004.

Escrito por mlucenafilho às 19h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

BANDEIRA CHAMUSCADA (ZELAYA POR NÓS)

 

Miguezim de Princesa


I
Confirma Celso Amorim,
Todo cheio de bravuras,
Que o tal Mané Zelaya
Se agarrou com a rapadura,
Por isso foi deflagrado
O golpe lá em Honduras.
II
O poder é muito bom,
Desperta amor e paixão,
Inveja, ódio e cobiça:
Zelaya teve uma comichão
De querer mais um mandato
Contra a Constituição.
III
Aqui tentaram um terceiro,
Porém Lula disse não,
Certamente teve medo
De uma grande reação
De quem sempre respirou
Sopros de renovação.
IV
Quem enfrentou ditadura,
Passou a vida a sofrer
Pra que o Brasil tivesse
Alternância de poder,
Ambição de algum caudilho
Não poderia  defender.
V
Chaves na Venezuela
Zelaya quis imitar;
Correia no Equador,
Que no poder quer ficar,
E Morales na Bolívia,
Que é mestre em calotear.
VI
Quando Zelaya em Honduras,
Com aquele chapelão,
Disse que queria ficar,
Mudar Constituição,
O Supremo o acusou
De cometer traição.
VII
De uma lapada só,
Sem ter dó nem ter clemência,
Botaram Zelaya pra fora
(Chega sentiu uma ardência)
E o presidente da Câmara
Assumiu a Presidência.
VIII
Nas ruas de Tejucicalpa
Houve manifestação,
Com o povo protestando
Contra a deposição,
Querendo Zelaya de volta
No Governo da Nação.
IX
Uma parte dos hondurenhos,
Que é contra a reeleição,
Também saiu para as ruas
Provocando confusão,
Defendendo a cláusula pétrea
De sua Constituição.
X
Zelaya pediu a Lula
Ajuda para voltar.
Depois de quatro lapadas
De cachaça Paladar,
Lula se encheu de coragem
E prometeu ajudar.
XI
Junto com Jorge Ferreira,
Que levou a feijoada,
Um tutuzinho à mineira
E uma boa costela assada,
Plano Zelaya foi traçado
Às quatro da madrugada.
 
 
XII
Marco Aurélio apareceu
Comendo mamão papaia,
Ainda fez top-top
Pra uma moça de Itatiaia
E disse assim, num rompante:
- Sou eu que levo Zelaya.
XIII
Saíram aqui do Brasil,
Vestiram Zelaya de freira,
Chegaram em El Salvador,
Atravessaram a fronteira
E de manhazinha entraram
Na Embaixada Brasileira.
XIV
Dali atiçaram o povo:
O tiroteio começou,
Top-top não é besta,
Pulou o muro e vazou
E o vestido de freira
Ninguém por lá encontrou.
XV
Dizem que viram uma freira
Com uma manta azul
E uma barba grisalha
Degustando uma Caracu,
Atravessando a fronteira
Com o Mato Grosso do Sul.


XVI
Enquanto isso em Honduras,
Fala mais alto o fuzil:
Cada um quer o poder
Para encher o seu barril
de riquezas confiscadas,
Mas quem fica chamuscada
É a Bandeira do Brasil!

Escrito por mlucenafilho às 23h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]
 

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Política, Arte e cultura
MSN -

Histórico